- O kakapo, papagaio nocturno da Nova Zelândia, tem apenas 236 indivíduos no país, e o nascimento de filhotes está previsto para fevereiro.
- A frutificação em massa da árvore rimu este ano gerou abundância de frutos, fonte crucial de cálcio e vitamina D, elevando as possibilidades de reprodução.
- Conservacionistas esperam mais de 50 novos filhotes, potencialmente a época de acasalamento mais prolífica já registada para a espécie.
- Os kakapos reproduzem-se num sistema de leks, onde machos se reúnem para exibir-se perante as fêmeas; a preparação dos caminhos e dos ninhos ocorre ao longo de meses.
- O regresso do kakapo às ilhas-santuário, após décadas de reduzida população e erradicação de predadores, tem permitido o aumento gradual do número de aves desde 1995, com os primeiros filhotes esperados em fevereiro.
Nos últimos anos, as perspetivas de sobrevivência do kakapo, o papagaio mais pesado do mundo, têm sido motivo de preocupação na Nova Zelândia. Com apenas 236 indivíduos, o programa de conservação continua a trabalhar para ampliar a população e evitar a extinção.
A temporada de reprodução depende de eventos raros de frutificação das árvores nativas. Em 2022 ocorreu o último grande ciclo de frutificação da árvore rimu, abrindo uma janela para o acasalamento. Conservacionistas aguardam agora o nascimento de filhotes previsto para fevereiro.
A equipa de conservação monitora os kakapos com tecnologia especializada para assegurar a saúde dos indivíduos, o estado dos ninhos e as interações reprodutivas. O ritmo de reprodução é irregular, mas a fim de reforçar o stock, a estimativa aponta para mais de 50 novos filhotes neste ciclo.
Época de acasalamento
O biólogo Andrew Digby, do Departamento de Conservação da Nova Zelândia, afirma que a abundância de frutos está a estimular uma onda de atividade reprodutiva. A expectativa é de uma época de acasalamento mais prolífica do que a registada anteriormente.
Os kakapos aquecem o ambiente de acasalamento através de rituais em leks, reunindo-se para exibir-se diante das fêmeas. Machos ajustam caminhos na floresta para amplificar os seus chamamentos raros e, quando prontos, vocalizam por longos períodos.
Estes pássaros vivem na Nova Zelândia desde há milhões de anos e evoluíram sem predadores mamíferos, o que contribuiu para o seu peso e para a ausência de voo. A ameaça moderna surgiu com a instalação humana e a presença de predadores, levando quase à extinção.
Monitorização e esperança
A governança mantém um conjunto de ilhas-santuário para a espécie, onde já se observa o crescimento populacional desde 1995. Atualmente, o kakapo distribui-se por três locais de reprodução protegidos e dois de teste, com fêmeas reprodutivas já em número suficiente para sustentar novas crias.
A equipa de conservação descreve o avanço como gradual, mas consistente, mantendo a expectativa de aumentar o contingente para além das 200 aves, e de recuperar a expressão populacional original. Os primeiros filhotes deste ano devem nascer em fevereiro.
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