- Estudo apresentado na Universidade de Coimbra por Rita Ribeiro analisa incendiários rurais e urbanos e avalia perfis criminais e a eficácia preliminar de uma intervenção para indivíduos detidos por crime de incêndio.
- Conclusões apontam que incendiários rurais tendem a ser mais velhos, com maior consumo de álcool e maior prevalência de doença mental, em comparação com incendiários urbanos.
- As motivações diferem: rurais ateiam fogo por aborrecimento e muitas vezes não conheciam o proprietário, enquanto urbanos o fazem por vingança e com relação mais próxima ao proprietário.
- Mesmo dentro do rural, a-tipologia mostra heterogeneidade: três grupos — problemas de consumo de álcool, doença mental/psiquiátrica, e indivíduos socialmente adaptados com motivação instrumental.
- A intervenção, já existente noutros países (como Inglaterra), foi adaptada para três casos piloto, evidenciando redução da raiva, melhoria de estratégias de coping, competências sociais e empatia, além de surgir uma checklist para apoiar o sistema de justiça.
O estudo apresentado na tese de doutoramento de Rita Ribeiro, defendida a 6 de janeiro na Universidade de Coimbra, analisa as diferenças entre incendiários rurais e urbanos. O trabalho também avalia, de forma preliminar, a adaptação de uma intervenção existente noutros países para formato individual.
Conclui que, embora haja semelhanças, existem distinções relevantes entre os perfis. Os incendiários rurais tendem a ser mais velhos, com maior consumo de álcool e maior prevalência de doença mental, em comparação com os urbanos.
Os dados apontam ainda que, em termos de motivação, os ruralistas recorrem ao fogo por aborrecimento ou para limpeza de terreno, com menos ligação ao proprietário; já os urbanos o fazem mais por vingança ou por relações com o dono.
Diferentes perfis entre incendiários rurais e urbanos
Dentro do rural, a amostra revela heterogeneidade: três grupos aparecem, ligados a álcool, doença mental e adaptabilidade social, incluindo um grupo instrumental com motivações distintas. No rural, o fogo pode ter função prática, não apenas emocional.
Entre as mulheres, que representam 10% da amostra, a motivação tende a ser menos instrumental, com muitos casos associados a busca de socorro ou de atenção, e menor consumo de álcool. A doença mental persiste como fator relevante.
Intervenção adaptada e resultados preliminares
Foi adaptada, em formato de grupo, uma intervenção já existente no Reino Unido para uso individual em três casos piloto, com melhoria observada. Observou-se redução da raiva, melhor manejo de situações e maior empatia e assertividade.
A adaptação também mostrou baixa reatividade de interesse pelo fogo e maior prontidão para reconhecer perigos. Por fim, a tese gerou uma checklist para apoiar justiça e investigações na caracterização de casos.
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