- O conceito de experiências liminares descreve uma fase de transição entre rotinas antigas e novas, acentuada pela pandemia e pela contínua instabilidade.
- A instabilidade atual inclui crises energéticas, conflitos, eventos climáticos e mudanças no trabalho, impulsionadas pelo modelo híbrido e pela inteligência artificial generativa, criando ansiedade e sensação de falta de controlo.
- O tema é desenvolvido por Laura Empson e Jennifer Howard-Grenville num artigo da Harvard Business Review sobre liderar em tempos imprevisíveis.
- Para enfrentar a liminaridade, as autoras sugerem três perguntas-chave: o que valorizo? onde estamos? como avançamos?
- Como passos práticos, propõem: pausar para avaliar, fortalecer os laços dentro da organização e manter firmeza e rumo, com um foco no valor, princípios e ações a tomar.
Vivemos tempos de incerteza contínua, marcados por alterações rápidas e imprevisíveis. O conceito de experiências liminares ganha relevo entre gestores que lidam com transições constantes no trabalho e na sociedade.
Este fenómeno descreve uma passagem prolongada entre rotinas estáveis e novas práticas ainda por consolidar. Quando termina, pode deixar líderes mais conscientes ou desconfiados, dependente do contexto.
Estudiosas de renome analisam o tema numa edição da Harvard Business Review, com foco na liderança em cenários de futuro imprevisível. As autoras destacam a necessidade de clareza mesmo sem certezas totais.
O que são experiências liminares?
Trata-se de uma separação prolongada do modo habitual de viver e trabalhar. Não é ruptura total, mas combinação entre familiar e desconhecido, que pode perdurar por meses ou anos.
A presença dessas experiências exige liderança que ofereça orientação prática, mesmo quando existe insegurança. É comum o desafio de orientar equipas sem respostas completas.
Três perguntas-chave para liderar com clareza
1. O que valorizo? Valores aparecem com evidência em tempos incertos, ajudando a identificar o essencial e a ajustar crenças desatualizadas.
2. Onde é que estamos? Importa compreender os princípios da organização e identificar terreno comum, especialmente em contextos polarizados.
3. Como avançamos? Evitar impotência ou cinismo é crucial; definir objetivos, limites e direcção aumenta a confiança das equipas.
Como atravessar a tempestade, com avaliação e fortalecimento
Em cenários instáveis, vale manter o foco no que permanece estável e nos objetivos centrais: entregar valor e criar pertença no ambiente de trabalho.
Fortalecer laços internos ajuda a manter a sensação de capacidade coletiva, reduzindo a sensação de perda de controlo.
Manter firmeza e rumo é essencial: agarrar-se ao que é sólido e manter o percurso, mesmo em crises, ajuda a superar tempestades.
Olhando para a esperança
A pandemia mostrou que organizações podem adaptar-se rapidamente a mudanças radicais. Esse histórico reforça a ideia de que as experiências liminares podem ser oportunidades de reflexão, reconexão e reorientação estratégica.
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