- Os Jardins Botânicos Reais de Kew divulgaram, em 2025, a lista das dez espécies mais curiosas descritas pela ciência nesse ano, incluindo um fungo “zombie” e uma orquídea sanguinolenta.
- O fungo Purpureocillium atlanticum infecta aranhas-de-alçapão no Brasil, libertando esporos através de um corpo frutífero; a descoberta ocorreu em 2022 com sequenciamento genético feito no terreno.
- Telipogon cruentilabrum, orquídea de flores amarelas com labelo cor de sangue, foi identificada no Equador e está classificada como ameaçada.
- Entre as outras novidades estão Aphelandra calcifer, Lithops gracilidelineata mopane, Galanthus subalpinus, Eugenia venteri, Plagiosiphon intermedium, Magnaporthiopsis stipae, Adonidia zibabaoa e Dendrobium eruciforme.
- A publicação ressalva a urgência de conservação da biodiversidade, com iniciativas como o Millennium Seed Bank a tentar recolher sementes e reduzir o risco de extinção.
O Jardim Botânico de Kew, em Londres, divulgou a lista anual das dez espécies mais curiosas descritas pela ciência em 2025. O highlight inclui um fungo que parasita aranhas-de-alçapão no Brasil e uma orquídea com manchas de “sangue” nas florestas andinas do Equador. O objetivo é evidenciar a variedade e os riscos da biodiversidade.
A equipa de Kew sublinha a urgência de conservar espécies já descritas, muitas delas ameaçadas. Martin Cheek lembra que a falta de conhecimento impede a proteção efetiva, e reforça que muitas espécies podem já estar em perigo quando são descritas. A perda de habitats é o principal motor.
Trata-se de uma perspetiva alinhada com a conservação, já que o Millennium Seed Bank e outras iniciativas no Reino Unido trabalham para reduzir a perda de biodiversidade, conservando sementes e material genético para futuras reintroduções.
Espécies listadas por Kew em 2025
Em 2025, os cientistas identificaram 190 novas espécies em colaboração com parceiros internacionais, incluindo uma campânula dos Balcãs e uma planta vermelhíssima associada ao filme Castelo Andante. As descrições reforçam a qualidade da taxonomia com impacto direto na conservação.
O fungo Purpureocillium atlanticum é o caso que ganhou destaque, ao parasitar aranhas de alçapão no solo brasileiro. Um corpo frutífero emerge da toca para libertar esporos, após a infecção inicial pelo fungo entomopatogénico. A descoberta ocorreu em 2022, na Mata Atlântica, com sequenciamento gênico em campo.
Orquídea com labelo de sangue
Outra espécie notável surge nas florestas andinas de Cotopaxi, no Equador: Telipogon cruentilabrum, uma orquídea de flores amarelas com veios vermelhos e um labelo vermelho como sangue. A morfologia atrai polinizadores por mimetismo. O habitat está sob pressão pela mineração e agricultura.
A equipa alerta para a ameaça do habitat, com mais de metade já destruído. A pesquisa faz parte do conjunto de descrições de 2025 realizadas por Kew, com reconhecimento de que a conservação passa pela proteção de áreas sensíveis.
Flora de grande porte e outras descobertas
No Peru, uma acantácea de três metros, Aphelandra calcifer, exibe flores em tons de laranja e amarelo inspirados no Demónio Calcifer do Castelo Andante. A planta é apontada como potencial ornamental para estufas, aumentando o interesse comercial e científico.
Uma nova subespécie de Lithops, Lithops gracilidelineata mopane, é apresentada na Namíbia. Diferencia-se pela tonalidade cinzenta clara e pela superfície lisa, crescendo entre seixos de quartzito na savana de mopane. A recolha ilegal passa a ser um risco real de extinção.
Novas espécies de campânula e outras
Nos Balcãs, Galanthus subalpinus foi identificada como uma nova campânula-branca, distinta de Galanthus nivalis. A confirmação veio por análise genética e tamanho do genoma, com um estado de conservação crítico devido à recolha para horticultura e desastres naturais.
Na Papua-Nova Guiné, Eugenia venteri descreve frutos com sabor a banana e goiaba, com toque de eucalipto. A planta, que apresenta caulifloria, depende de ratos gigantes para polinização e dispersão, ganhando o reconhecimento pela sua singularidade morfológica.
Árvores e fungos: novas linhas de pesquisa
Entre Camarões, Plagiosiphon intermedium surge como a maior nova espécie descrita em 2025, atingindo 34 metros. A árvore depende de fungos ectomicorrízicos, o que a torna especialmente vulnerável a perturbações do solo e do ambiente.
Na Mongólia Interior, Magnaporthiopsis stipae aparece como fungo endófito nas raízes de Stipa sareptana, integrado num conjunto de 24 novas espécies de fungos descritos recentemente. Muitos ainda permanecem invisíveis sem investigação aprofundada.
Encerramento dos destaques
Nas Filipinas, Adonidia zibabaoa apresenta frutos vermelhos e ocupa zonas sujeitas a tufões, gerando interesse de colecionadores. A classificação final no gênero Adonidia reforça a diversidade regional da flora tropical.
A nova orquídea Dendrobium eruciforme, descrita na Nova Guiné e nas Molucas, integra o conjunto de seis espécies de orquídeas identificadas nesta região, destacando a colaboração entre o Kew e parceiros locais no âmbito de áreas prioritárias para conservação.
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