- Em Pagliara dei Marsi, Abruzzo, nasceu Lara, a primeira menina em quase 30 anos na aldeia de cerca de 20 habitantes, atraindo atenção local.
- O caso ilustra a crise demográfica italiana: em 2024 nasceram 369.944 crianças no país, com a taxa de fertilidade a 1,18 filhos por mulher em idade fértil (ISTAT).
- O casal Cinzia Trabucco e Paolo Bussi mudou-se para a aldeia, beneficiando de apoios do Governo de 1.000 euros no nascimento e de 370 euros mensais como parte de medidas contra o “inverno demográfico”.
- A principal maternidade da região corre risco de encerramento devido ao despovoamento: em Sulmona houve 120 partos em 2024, muito abaixo dos 500 necessários para receber financiamento público.
- Profissionais de saúde e políticos questionam a coerência das políticas de incentivo sem reforço dos serviços, destacando a necessidade de melhorias nas escolas e na qualidade de vida da região.
Em Pagliara dei Marsi, uma aldeia de Abruzzo com cerca de 20 habitantes, nasceu Lara, a primeira criança em quase 30 anos. O nascimento gerou curiosidade e debates locais sobre a crise demográfica que atinge a região.
Lara tem nove meses e já é presença constante na vila. A mãe, Cinzia Trabucco, afirma que a filha atraiu visitantes de fora, mostrando o impacto simbólico do fenómeno no território. O pai, Paolo Bussi, descreve a mudança como um desejo de criar a família longe do caos citadino.
A história de Lara insere-se no contexto nacional. Em 2024 nasceram 369.944 crianças em Itália, o menor registo desde que há registos, e a taxa de fertilidade situa-se em 1,18 filhos por mulher em idade fértil, segundo ISTAT. Este despovoamento agrava o envelhecimento e a perda de serviços.
Cinzia e Paolo afirmam ter recebido apoio financeiro de 1.000 euros pelo nascimento e um subsídio mensal de 370 euros, medidas anunciadas pelo Governo de Giorgia Meloni para enfrentar o inverno demográfico. Contudo, sublinha-se que o sistema exige reformas estruturais para ter impacto duradouro.
A mãe de Lara ressalva que, além do apoio financeiro, é preciso melhorar serviços públicos. A escola local pode enfrentar encerramento devido à baixa natalidade, agravando o isolamento da aldeia e a fuga de jovens.
Despovoamento na região ameaça encerramento da maternidade de Sulmona
A cerca de uma hora de distância fica Sulmona, onde a maternidade está sob risco de fechar. Em 2024, ocorreram 120 partos, muito abaixo dos 500 necessários para acesso a financiamento público de maternidades, segundo relatos dos profissionais de saúde.
A enfermeira Berta Gambina, com quase 40 anos de experiência na unidade, diz que o objetivo de 500 partos anuais nunca foi atingido, mesmo nos melhores anos. O receio declarado é de abandonar as grávidas caso a situação não se reverta.
Políticos locais questionam a coerência entre incentivos à natalidade e a qualidade dos serviços de saúde. Ornella La Civita, vereadora, aponta a necessidade de garantir condições seguras para o parto antes de ampliar apoios financeiros.
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