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Milícia de Mário Machado dissemina ódio online e forma núcleos nacionais

Milícia de Mário Machado expande-se pelo país, difunde propaganda islamofóbica e incita ações de rua contra imigrantes, com possível escalada violenta

Mário Machado, conhecido neonazi e porta-voz do Grupo 1143
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  • O Grupo 1143 é uma milícia neonazi online ligada a Mário Machado, que difunde ódio racial e islamofóbico e organiza núcleos de norte a sul, principalmente via X e Telegram.
  • No Telegram existem um chat nacional chamado RCE com cerca de 2.500 membros e seis núcleos regionais, além de vários núcleos distritais, com planos de abrir em mais regiões; a estrutura funciona com regras definidas por Machado.
  • As atividades passam pela disseminação de informações falsas, pichagens de ódio, ações de rua e eventos de convivência entre membros, incluindo “white boy party” e churrascos, com utilização de propaganda contra imigrantes.
  • Houve incidentes como a queda do Padrão de São Lázaro em Guimarães, com boatos que imputavam imigrantes, disseminados pelos canais do grupo; a Polícia de Segurança Pública desmentiu e a investigação foi encaminhada à Polícia Judiciária.
  • As autoridades confirmaram que o Ministério Público abriu um inquérito por incitamento ao ódio e violência; Machado afirma que o movimento é “na brincadeira”, embora o grupo permaneça organizado com liderança descentralizada, sob forte influência dele.

O Grupo 1143, associação ligada a Mário Machado, utiliza as redes para espalhar propaganda e ódio contra imigrantes. Surgiu ligado ao estádio de Alvalade e ganhou alicerce nacional com a ascensão de núcleos organizados, sobretudo através do Telegram e X.

A organização afirma não ter líder, mas o porta-voz é visto como figura central. Machado aparece como presidente de facto, orientando ações e a expansão de núcleos de norte a sul do país. A estrutura opera com regras claras para formar novos grupos locais.

O fenómeno acompanha um aumento do discurso de ódio e de desinformação que, segundo especialistas, é uma estratégia comum da extrema-direita europeia. Áudios e vídeos que circulam nos grupos alimentam campanhas contra imigrantes e minorias.

Como o 1143 se distribuiu pelo Telegram

O grupo internacional RCE, com cerca de 2.500 membros, coordena seis núcleos regionais e 11 distritais, com números que variam entre 100 e 500 membros. Núcleos já criados incluem Lisboa, Norte, Mafra, Coimbra, Sintra e Guimarães, entre outros.

Os integrantes partilham conteúdos islamofóbicos, imagens de propaganda extremista e instruções para ações de rua. Regras internas determinam que os núcleos apenas existem se já estiveram em eventos nacionais do 1143 e tiverem, pelo menos, cinco membros.

Guimarães sob tensão de ódio

A queda do Padrão de São Lázaro, em Guimarães, foi citada como pretexto para ações das redes. No X, páginas geridas por Machado associaram o ato a imigrantes muçulmanos, o que impulsionou boatos entre os membros. Um membro regional pediu que se aproveitasse a tragédia para impulsionar ações de rua.

Houve pressão para organizar uma manifestação em Guimarães a 5 de outubro, com coordenação de diferentes núcleos. Contudo, o encontro não teve adesão significativa e o objetivo não foi alcançado.

Incentivos à propaganda agressiva e à violência

Os vídeos e mensagens do 1143 promovem ações de rua, ataques a imigrantes, pichagens e eventos de convivência como churrascos para fortalecer a coesão entre núcleos. Em alguns casos, surgem instruções de como financiar atividades locais.

A nível de comunicação, há uma forte retórica contra a presença de imigrantes e de minorias. Em portais e contas associadas ao 1143, são difundidas expressões desumanizadoras que alimentam o ódio.

Chantageamento a artistas e controlo de narrativa

O grupo já tentou cancelar espetáculos de artistas associadas a temáticas consideradas contrárias à sua visão. Em Mafra, houve campanha de alerta que levou ao cancelamento de uma atuação de MC Pipokinha, considerada inadequada pelos neonazis.

Este movimento também tem vindo a pressionar instituições e organizações civis. Um caso envolve uma instituição de saúde em Lisboa onde foi levantada a pretensão de mudar políticas internas, com declarações que desqualificam pessoas trans. O objetivo é inflamar a opinião pública.

O que se sabe sobre o contexto jurídico e institucional

As autoridades reconhecem o aumento da ameaça associada à extrema-direita. Um inquérito do Ministério Público investiga o 1143 por incitação à violência. O inquérito tramita no DIAP de Lisboa, sob segredo de justiça.

Apesar de o grupo não estar formalmente constituído, a investigação acompanha a rede de núcleos que operam com recursos próprios. A Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana têm vindo a acompanhar o fenómeno como parte do combate ao ódio e à discriminação.

Histórico de Machado e ligações políticas

Mário Machado é uma figura conhecida no meio ultradireita, com vários antecedentes criminais acumulados ao longo dos anos. O 1143 tem ligações com alguns antigos dirigentes de partidos de direita, embora o grupo se apresente como apartidário.

Machado sustenta que o 1143 funciona sem uma hierarquia formal, mas dirige ações e decide a abertura de novos núcleos. Em declarações públicas, minimiza a gravidade das acusações e descreve as provocações como provocação ou humor.

Impacto social e institucional

A crescer, o discurso de ódio contesta a convivência multicultural e alimenta tensões em bairros com diversidade. Empresas, comunidades imigrantes e jornalistas relatam episódios de hostilidade nas redes e na rua, com consequências para a coesão social.

Especialistas lembram a necessidade de combate a desinformação e de reforçar o estado de direito, para impedir que boatos escalem para conflitos reais. A defesa dos direitos humanos continua a ser o marco de resposta institucional.

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