- Aos cinco anos, surgiram dores de barriga sem causa definida e o pediatra não encontrava explicação.
- Aos oito, durante um piquenique, apareceu a primeira enxaqueca com dor intensa, náuseas e sensibilidade à luz e ao som.
- As crises foram aumentando ao longo do tempo, com sensação de culpa, solidão e diagnóstico tardio.
- Aos vinte e quatro anos, um neurologista especialista confirmou enxaqueca; começou a medicação preventiva com ajustes de dosagem.
- Em dois mil e dezenove chegou o tratamento que devolveu a vida; criou-se a MiGRA Portugal para apoiar pacientes e exigir diagnóstico qualificado e medicamentos acessíveis.
Aos cinco anos, a criança já sofria com dores de barriga sem causa identificável. O pediatra não encontrava explicação, e a família pensava em ansiedade ou mimo. O silêncio sobre o problema foi perdurando, até aos oito, durante um piquenique, nascer a enxaqueca pela primeira vez.
A dor parecia martelar na cabeça, acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz e ao barulho. Ao longo dos anos, as crises ficaram mais frequentes e intensas, e a jovem passou a relacioná-las com medo, culpa e isolamento. Procurou respostas sozinha, reunindo informações para entender o que sentia.
Somente aos 24 anos, já no mercado de trabalho, procurou a ajuda de um neurologista especialista em cefaleias. O diagnóstico tornou-se possível depois de chegar preparado, com registo das crises e com a lista de medicações que já tinham funcionado. Iniciou-se o tratamento preventivo, com fases de ajustes e insucesso.
A partir desse ponto, surgiram dificuldades físicas e emocionais associadas às crises frequentes. Dormir, trabalhar e cumprir compromissos tornaram-se desafios com impactos na vida familiar. Sentiu-se muitas vezes sozinha, rodeada de mal-entendidos sobre a doença invisível.
Foi então que nasceu a MiGRA Portugal – Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias. A organização surgiu da partilha de experiência entre pessoas com cefaleias e a vontade de dar voz a quem convive com a condição. A missão é promover diagnóstico qualificado e acesso a tratamentos, bem como apoiar quem enfrenta este percurso.
Em 2019 chegou o tratamento que devolveu parte da qualidade de vida. Atualmente, a luta centra-se em tornar os medicamentos mais acessíveis e assegurar consultas com profissionais formados, bem como ampliar o acesso, para além dos grandes centros urbanos. A MiGRA Portugal trabalha para reduzir o caminho sinuoso entre diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos doentes com cefaleias.
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