- A casa de ópera La Fenice, de Veneza, despediu a directora musical Beatrice Venezi, pondo fim a uma discórdia que se arrastava desde setembro entre a maestrina e os músicos e trabalhadores da casa.
- O motivo apresentado pela La Fenice foram as declarações públicas graves da maestrina, que teriam prejudicado a reputação artística da casa, incluindo uma entrevista à La Nación em que acusava nepotismo e dizia que cargos na orquestra eram transmitidos de pai para filho.
- A instituição rejeitou as acusações, afirmando que as nomeações ocorrem apenas após audições internacionais abertas.
- Em outubro, os protestos contra Venezi levaram ao cancelamento da noite de estreia de Wozzeck, com manifestações de membros da orquestra e de trabalhadores do teatro.
- Venezi, de 36 anos, é considerada próxima do partido Irmãos de Itália, de Giorgia Meloni, que numa declaração negou ter autorizado a demissão; a Reuters não conseguiu contactar a maestrina.
A La Fenice, em Veneza, anunciou a demissão da directora musical Beatrice Venezi, pondo fim a uma controvérsia que se arrastava desde setembro. A decisão foi comunicada pela casa de ópera italiana, após críticas públicas da maestrina aos responsáveis do teatro.
A controvérsia surgiu quando Venezi, de 36 anos, foi nomeada directora musical pelo director-geral Nicola Colabianchi, ainda em setembro. Membros da orquestra e trabalhadores apresentaram uma carta aberta com objecções à transparência do processo e ao facto de não terem sido consultados.
A motivação oficial, publicada no domingo pela instituição, aponta para declarações públicas graves de Venezi que teriam prejudicado a reputação artística da La Fenice e da orquestra. A maestrina tinha concedido entrevista ao diário argentino La Nación.
Mudança de tema
A La Fenice sustenta que as acusações de nepotismo não correspondem à realidade, alegando que o ingresso na orquestra ocorre apenas após audições internacionais abertas. A porta-voz do teatro refere que o momento de nomeação não correspondeu a uma parceria estável já estabelecida.
Em outubro, protestos contra Venezi levaram ao cancelamento da estreia de Wozzeck, de Alban Berg, e a manifestações em Veneza envolvendo membros da orquestra e fãs de temporada. Pediam a demissão de Venezi e do director-geral Nicola Colabianchi.
Na altura, o representante sindical Paolo Bertoldo comentou que, ao nomear um director musical, o habitual é o pré-trabalho com a orquestra para avaliar a parceria. A crítica também incidiu sobre a juventude de Venezi para um teatro com tradição de 1792.
Beatrice Venezi é associada ao partido Irmãos de Itália, de Giorgia Meloni, e foi contratada como consultora musical do Ministério da Cultura após a eleição de Meloni, em 2022. A primeira-ministra negou ter autorizado qualquer demissão.
Para já, a Reuters tentou contactar Venezi, sem obter resposta. A instituição não revelou outros pormenores sobre o futuro da direcção musical. A notícia mantém o foco na substituição da directora após meses de atritos.
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