- Portugal perdeu, desde os anos cinquenta, um território costeiro equivalente a 13 quilómetros quadrados, o que corresponde a 1.380 campos de futebol, segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
- O objetivo da apresentação no Porto, com a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, é mapear os estragos das tempestades e apresentar um plano de recuperação da costa e proteção das populações.
- O investimento total anunciado é de 174 milhões de euros, que inclui intervenções urgentes de limpeza de praias, reparação de acessos, estabilização de arribas e obras de caráter mais estrutural.
- Parte da recuperação envolve a reposição de areia em praias que “emagreceram”, com exemplo citado de devolver à praia do Forte Novo, no Algarve, o conteúdo equivalente a 400 piscinas olímpicas cheias de areia.
- A ideia de reposição de areia é controversa: especialistas alertam que a areia não é eterna e que o nível do mar tem de baixar pressões sobre a gestão da costa, associando as obras a uma mudança de relação com a paisagem costeira.
O litoral português sofreu uma perda de área equivalente a 13 km² desde os anos 50 até hoje, o que corresponde a 1380 campos de futebol. A informação foi apresentada pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, numa conferência no Porto.
A sessão contou com a presença da ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho. O objetivo foi mapear os estragos provocados pelas tempestades no litoral e apresentar um plano de recuperação e de proteção às populações costeiras.
O Governo anunciou um investimento total de 174 milhões de euros. O montante destina-se a intervenções urgentes, como limpeza de praias, reparação de acessos e estabilização de arribas, bem como a obras de maior envergadura para a recuperação costeira.
Reposição de areia e planos de intervenção
Parte do trabalho envolve a injeção de areias em praias que recuaram ao longo dos anos. No Algarve, por exemplo, prevê-se devolver à Praia do Forte Novo o equivalente a mais de 400 piscinas olímpicas cheias de areia.
O没有 esclarecimentos indicam que a intervenção se concentra em zonas críticas, com foco na estabilização de fragilidades da linha costeira. O técnico responsável mencionou a necessidade de reposição contínua para manter dinâmicas económicas ligadas ao turismo.
Perspetivas e limitações
A recuperação também envolve considerações sobre os recursos disponíveis. A ideia de manter praias através de reposição de areia é sujeita a limitações: a areia adequada não é infinita e o recurso pode tornar-se escasso com o aumento do nível do mar.
A docente italiana Clara Armaroli, da Universidade de Bolonha, alerta que a areia disponível tem um prazo de uso limitado e que mudanças climáticas podem transformar a paisagem costeira. O aumento do nível do mar aponta para transformações futuras das praias.
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