- A Greenpeace critica a UE por uma “profunda incoerência estrutural” na resposta à crise energética desencadeada pela guerra no Irão e pelo fecho do estreito de Ormuz.
- O estudo analisou sete países da UE (Espanha, Alemanha, Países Baixos, Grécia, Irlanda, Portugal e Suécia) e conclui que o apoio financeiro total chega a 11,826 milhões de euros.
- Espanha aprovou um Real Decreto-Lei com um plano superior a 5.000 milhões de euros até 30 de junho de 2026, incluindo a redução do IVA de energia de 21% para 10%.
- Em comparação, a Alemanha destinou 1.620 milhões de euros; os Países Baixos, 970 milhões; a Grécia, 800 milhões; a Irlanda, 760 milhões; Portugal, 470 milhões; e a Suécia, 430 milhões.
- A Greenpeace alerta que as medidas são indiscriminadas e defende reformas estruturais, maior aposta em renováveis, autoconsumo e redução da procura, além de tributação mais pesada sobre poluidores.
A Greenpeace acusa a UE de apresentar uma incoerência estrutural na resposta à escalada de preços energéticos provocada pela guerra no Irão e pelo encerramento do estreito de Ormuz. O estudo analisa sete países: Espanha, Alemanha, Países Baixos, Grécia, Irlanda, Portugal e Suécia, e foi divulgado esta quinta-feira.
A organização ambientalista sustenta que as medidas europeias não consolidam uma transição rápida para renováveis e mantêm o resgate de combustíveis fósseis. O choque no custo da energia foi agravado pela intervenção de Teerão no estreito de Ormuz, segundo o relatório.
A subida de preços na UE atingiu valores relevantes, com Espanha a registar aumentos superiores a 34%. Diante disso, os governos aprovaram planos de resposta para mitigar o impacto económico sobre cidadãos e empresas.
Espanha lidera o pacote europeu
Dados do think tank Bruegel indicam que as devoluções públicas somaram perto de 11,8 mil milhões de euros para atenuar a crise energética. Em Espanha, o Conselho de Ministros aprovou um Real Decreto-Lei com mais de 5 mil milhões de euros, válido até 30 de junho de 2026.
A Alemanha destinou 1,62 mil milhões de euros, os Países Baixos 970 milhões, a Grécia 800 milhões, a Irlanda 760 milhões, Portugal 470 milhões e a Suécia 430 milhões. O real foco espanhol está no plano fiscal, com IVA reduzido de 21% para 10% em energia, gás, eletricidade e combustível, e com o preço máximo de alguns consumos congelado.
Apesar de o relatório reconhecer que Espanha avançou mais rapidamente na implementação de renováveis, aponta falhas no planeamento social e territorial. A Greenpeace alerta para benefícios concentrados e conflitos locais num processo de transição.
Reforma necessária para a transição
O documento sustenta que a transição energética não pode resumir-se a substituir fontes, exigindo reformas profundas do mercado, promovendo autoconsumo, comunidades de energia locais e redução sustentada da procura.
Segundo a Greenpeace, quase toda a região recorre a políticas fiscais previstas para reduzir preços, menos eficazes a longo prazo. O relatório também evidencia pobreza energética, com muitos lares a reduzir consumo básico devido a faturas elevadas.
Carlos García Paret, porta-voz da organização, critica as reduções generalizadas sobre gás e combustíveis, chamando a atenção para custos orçamentais elevados e eficácia fraca. O trabalho recomenda soluções direcionadas a públicos vulneráveis e apoios a setores específicos.
O estudo enfatiza ainda a necessidade de investir em rendimentos protegidos, transporte público, reabilitação energética de edifícios e apoio ao setor agrícola, para acelerar uma eletrificação inclusiva nas mãos dos cidadãos.
Entre na conversa da comunidade