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Stress térmico extremo cresce na Europa

Europa enfrenta crescimento do stress térmico extremo e de noites tropicais, colocando a saúde pública em risco e aumentando a mortalidade

Varredor de rua trabalha ao sol em Londres, terça-feira, 23 de junho de 2026, com uma onda de calor prevista para todo o Reino Unido
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  • A Europa está a registar mais dias de stress térmico extremo do que nos anos 1970, com algumas zonas a somarem até mais 40 dias por ano.
  • Um estudo publicado na Nature, com base no Copernicus Climate Change Service, mostra que as temperaturas de sensação estão a aumentar, tornando-se mais frequentes os dias e as noites tropicais.
  • A análise indica que a Europa já aquece cerca de 2,5 °C acima dos níveis pré‑industriais, tornando‑se o continente que mais rapidamente se aquece.
  • As temperaturas de sensação noturnas aumentaram mais rápido do que as diurnas, o que pode impactar a saúde pública e a qualidade de sono, especialmente em regiões vulneráveis.
  • Além de África e partes da América, o estudo alerta para o alargamento do stress térmico a regiões historicamente menos afetadas, com impacto potencial na mortalidade associada ao calor.

O stress térmico extremo está a intensificar-se na Europa. Um grande estudo mostra que muitas regiões registaram até mais 40 dias de stress térmico forte face à década de 1970. A investigação avalia não só temperaturas, mas também as chamadas temperaturas de sensação.

O estudo, realizado por investigadores do Copernicus Climate Change Service (C3S) da UE, analisa como a elevação global de temperaturas, associada à dependência de combustíveis fósseis, afeta o desconforto humano. A autora principal é Rebecca Emerton.

A análise compara várias regiões europeias e conclui que o sul de Espanha, Itália, Grécia e Turquia podem ter mais dias de stress térmico do que há quatro décadas, com grande parte da Europa a registar piora. A pesquisa foi publicada recentemente na Nature.

Temperaturas de sensação, que combinam vento, humidade e adaptação do corpo humano, são usadas para entender o impacto humano. O estudo mostra que dias com sensação térmica elevada são mais frequentes e preocupantes para a saúde pública.

Os investigadores classificaram o stress térmico em três níveis: forte, muito forte e extremo. Regiões do sul europeu podem ultrapassar 32 °C, 38 °C ou 46 °C de sensação em certos dias, comparando com os registos de 1970.

A equipa indica que, em partes da África Austral, África Oriental, México e América Central, pode haver cerca de 50 dias adicionais por ano de stress térmico forte. A expansão alcança áreas raramente afetadas anteriormente.

As noites tropicais — quando a temperatura não desce abaixo dos 20 °C durante 24 horas — também aumentaram, com consequências para sono e saúde cardiovascular. O fenómeno é especialmente relevante na Europa.

Estudos anteriores já associam temperaturas noturnas altas a maiores mortalidades, especialmente entre idosos e pessoas com doenças pré-existentes. A falta de ar condicionado aumenta a vulnerabilidade em várias regiões.

Para mitigar impactos, os especialistas destacam a importância da hidratação, roupas adequadas e evitar atividades físicas no auge do calor. A autorrepresentação do calor noturno exige ações de saúde pública.

A nível prático, o estudo reforça a necessidade de monitorização de calor extremo, planeamento urbano com áreas frescas e estratégias de adaptação para reduzir mortalidade e hospitalizações ligadas ao calor.

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