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Nova vaga de calor preocupa sul da Europa, casas sem ar condicionado

O calor extremo leva sul europeus a adaptar habitações sem ar condicionado, recorrendo a sombreamento, tecidos húmidos e sestas para enfrentar ondas de calor

Ficar à sombra ou fazer uma sesta nas horas de maior calor ajuda durante uma onda de calor.
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  • O Comité para as Alterações Climáticas do Reino Unido recomenda instalar ar condicionado em todos os lares e hospitais nos próximos dez anos e em todas as escolas nos próximos 25 anos.
  • No Reino Unido, a instalação de ar condicionado custa cerca de 2 500 libras por divisão, e os aparelhos consomem muita eletricidade e têm impacto ambiental relevante.
  • A Espanha criou abrigos climáticos públicos gratuitos, como bibliotecas e museus, para que a população se mantenha fresca; outros países da Europa também procuram soluções.
  • Na Sicília, muitas casas não têm ar condicionado; técnicas como manter janelas fechadas com cortinas, coberturas por fora e roupas ou lençóis húmidos ajudam a manter o interior mais frio.
  • O verão exige planeamento: há quem adote a siesta e horários mais ‘frescos’ para trabalhar, com foco numa gestão mais eficaz do calor e na redução do uso de combustíveis fósseis.

No continente europeu, a vaga de calor que se propagou por boa parte de maio expôs as fragilidades das habitações: norte da Europa costuma reter calor, enquanto o calor extremo pôde transformar casas em verdadeiros fornos. Regiões como a Sicília já lidam com verões prolongados e temperaturas altas acima de 30 ºC.

Um relatório do Comité para as Alterações Climáticas do Reino Unido recomendou, a curto prazo, investir em ar condicionado em lares e hospitais, e a médio prazo em escolas. O objetivo é mitigar impactos em populações vulneráveis, apesar de alternativas menos dispendiosas existirem.

Enquanto isso, a Espanha tem criado abrigos climáticos públicos para manter pessoas frescas em espaços como bibliotecas, museus e outros locais gratuitos. A ideia é oferecer respiro público enquanto a redução eficaz de emissões de carbono permanece essencial.

Mudei-me do Reino Unido para a Sicília há seis anos e noto o recurso a casa sem ar condicionado é comum por aqui. O calor é encarado como parte do dia a dia, com estratégias que priorizam a construção, horários e hábitos locais.

Como manter a casa fresca

Fechar janelas pode parecer estranho, mas funcionam quando aliadas a coberturas para impedir a entrada de calor. Cortinas, estores ou panos devem permanecer fechados durante as horas mais quentes.

Existem soluções simples e baratas, como forrar janelas com papel de parede ou pendurar tecidos claros para refletir a radiação. Também se pode instalar toldos ou palas mais permanentes para protecção adicional.

Humedecer roupas, lençóis ou tecidos oferece arrefecimento por evaporação. Um segredo partilhado por moradores locais é usar camisolas húmidas ou panos molhados para reduzir a sensação térmica ao trabalhar dentro de casa.

A prática da siesta é comum na região: as atividades costumam recomeçar ao fim da tarde, quando o calor diminui. O horário de almoço prolonga-se, com retorno ao trabalho entre as 16h e as 19h, evitando as horas de calor máximo.

Depois da pausa, alguns recorrem a duches mornas para manter o corpo fresco sem choque térmico. As estratégias locais combinam planejamento diário com hábitos culturais para gerir ondas de calor prolongadas.

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