- A administração Trump vai desmantelar a Iniciativa dos Observatórios Oceânicos (OOI), despojando quase toda a infraestrutura subaquática de uma rede federal avaliada em 386 milhões de dólares.
- A NSF anunciou que irá recolher os equipamentos instalados na maioria das estações do Atlântico e do Pacífico, com embarcações a fazê-lo, encerrando a maior parte da rede.
- A OOI, em funcionamento desde 2016, fornecia observações contínuas para estudar o papel dos oceanos no aquecimento global e na absorção de dióxido de carbono, entre outros temas.
- Uma parte da rede ao largo do Oregon, que também monitoriza a geologia do fundo marinho, vulcanismos e atividade sísmica, continuará a operar até 2028, mantendo o centro de dados da iniciativa e o acesso aos dados já recolhidos.
- Especialistas dizem que não há substituto completo para a OOI; outras redes, como Argo ou RAPID, são vistas como complementares, e há preocupação com impactos a longo prazo na compreensão do oceano.
A administração Trump desmantelará grande parte da Iniciativa dos Observatórios Oceânicos (OOI), uma rede federal de sensores, bóias e instrumentos autónomos avaliada em 386 milhões de dólares. O plano prevê retirar a maior parte da infraestrutura subaquática no Atlântico e Pacífico. Motivo alegado: gestão mais ágil de prioridades científicas.
O OOI funciona desde 2016, oferecendo observações contínuas durante pelo menos 25 anos. Cientistas utilizam os dados para entender o papel dos oceanos no aquecimento global e na captura de dióxido de carbono, bem como para estudar inundações costeiras e ecossistemas marinhos.
A decisão foi anunciada pela Fundação Nacional para a Ciência (NSF) no final de maio. As autoridades planeiam enviar embarcações para recolher os equipamentos instalados nas plataformas oceânicas. O centro de dados central da iniciativa manterá funcionamento e acesso aos dados já recolhidos.
Impactos e contexto
A NSF justifica a medida como uma reorientação de investimentos para tecnologias emergentes e melhoria de gestão de infraestruturas de investigação. A decisão surge num contexto de cortes e debates sobre o financiamento em ciência climática.
Especialistas destacam que, para além de arrecadações de dados, o OOI oferece um nível de detalhe único ao cruzar observações físicas, químicas, biológicas e geológicas, do superfície ao fundo do mar. A desativação deixará lacunas difíceis de suprir.
Alguns investigadores lembram que redes internacionais, como Argo ou RAPID, não fornecem o mesmo alcance da OOI. A União Europeia anunciou recentemente o aumento de financiamento em monitorização oceânica, com o programa OceanEye.
Reações de peritos
Para a comunidade científica, a perda de infraestrutura crítica pode atrasar avaliações sobre mudanças oceânicas e os seus impactos nas populações costeiras. Críticos descrevem a medida como de curto prazo, com consequências a longo prazo.
O Oregon, onde existe uma extensão da rede que monitoriza o fundo oceânico, continuará a operar até 2028, mantendo o acesso aos dados já coletados. O Centro de Oceanografia do Reino Unido ressalva a importância de dados norte-americanos para o entendimento global.
Os responsáveis pela decisão sublinham que a nova estratégia pretende manter o foco em prioridades emergentes, sem descurar o conjunto de dados já disponíveis. A comunidade científica continua a acompanhar o desfecho e as possíveis alternativas de observação oceânica.
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