- O Papa Leão XIV visitou a “Terra dos Fogos”, em Acerra, região próxima de Nápoles, onde há resíduos tóxicos despejados pela máfia, com cerca de 15 mil fiéis presentes.
- Apelou a uma mudança de paradigma económico para curar o planeta, dizendo que é necessário ser ricos de outra forma e rejeitar um modelo que privilegia poucos e deturpa o trabalho e o futuro das pessoas.
- O discurso criticou um sistema económico individualista e tecnocrático, afirmando que o atual paradigma favorece conflitos pela apropriação de recursos e beneficia quem detém o poder.
- O Papa reuniu-se na catedral com familiares de vítimas e pessoas doentes, e depois percorreu Acerra no papamóvel antes de falar às autoridades civis.
- A região, conhecida pela “drama ambiental” de resíduos tóxicos desde a década de oitenta, é descrita como epicentro de uma área de cerca de noventa localizações onde a poluição tem provocado doenças e mortes prematuras.
O Papa levou a mensagem do Vaticano à região de Acerra, conhecida como a Terra dos Fogos, onde resíduos tóxicos foram descartados pela máfia durante décadas. O encontro ocorreu no sábado, diante de cerca de 15 mil fiéis, para falar sobre uma mudança de paradigma económico que cure o planeta.
Antes do discurso, o Papa reuniu-se com familiares de vítimas da poluição e com pessoas doentes na catedral de Acerra. Referiu-se à encíclica ambiental Laudato Si’, defendendo uma transição de um modelo centrado no lucro para outro que valorize a saúde da criação.
O Papa apelou a uma mudança de mentalidade económica, sublinhando que o sistema atual favorece lucros de poucos e é cego às pessoas, ao trabalho e ao futuro. Criticou a tecnocracia e o uso excessivo de recursos, que geram pobreza e conflitos.
Um novo rumo económico
Leão XIV pediu um pacto entre pessoas, instituições e educação para disseminar ideias de um mundo menos consumista. Enfatizou a necessidade de zelar pela saúde da Criação, rejeitando práticas que contaminam água, ar e solo.
O pontífice enfatizou que é urgente reduzir desperdícios e resíduos, propondo uma evolução gradual para um sistema económico mais sustentável. Pediu que a riqueza seja redefinida pelo bem comum e pela dignidade humana.
O drama ambiental de Acerra
O bispo de Acerra, António Di Donna, descreveu o histórico da região desde a década de 1980, com resíduos tóxicos vindo de indústria do norte. O religioso afirmou que milhares de toneladas foram despejadas, gerando doenças e mortes precoces entre jovens.
A notícia local confirmou que a Câmara de Acerra vê a comunidade como símbolo de resistência civil e desejo de mudança, mesmo diante dos graves impactos ambientais.
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