- O financiamento climático global alcançou 136,7 mil milhões de dólares em 2024, um recorde, depois de 132,8 mil milhões em 2023.
- O setor da energia continua a receber a maior fatia do capital privado, representando 41% do total entre 2016 e 2024, enquanto o financiamento público permanece como pilar principal (cerca de três quartos do montante).
- O financiamento público por empréstimos já representou 73% em 2023 e 67% em 2024; as subvenções passaram de 24% para 29% nesses anos.
- A adaptação às alterações climáticas continua subfinanciada, com 34,7 mil milhões de dólares em 2024; é preciso aumentar 5,8 mil milhões já no próximo ano para cumprir o objectivo de Glasgow.
- O setor privado registou um salto de 33% em 2024, atingindo 30,5 mil milhões de dólares; as regiões Ásia e África são as maiores beneficiárias, com 39% e 29% respetivamente.
O financiamento climático global atingiu novo recorde, com 136,7 mil milhões de dólares em 2024, segundo o último relatório da OCDE. O ano anterior ficou em 132,8 mil milhões de dólares, em 2023, num ritmo de crescimento que consolida a meta histórica de mobilizar 100 mil milhões anuais para acção climática em países em desenvolvimento.
A maior parte do financiamento provém de vias públicas, com cerca de três quartos do montante. Em 2023, empréstimos representavam 73% do financiamento público e, em 2024, 67%. Subvenções a fundo perdido chegaram a 24% em 2023 e 29% em 2024.
O setor privado revelou a surpresa do relatório: o capital privado mobilizado por fundos públicos subiu 33%, para 30,5 mil milhões de dólares em 2024. Bancos de desenvolvimento multilaterais e fundos climáticos internacionais foram os principais intervenientes, através de investimento direto, garantias e empréstimos sindicados. O setor da energia continua a atrair a maior fatia, com 41% do total entre 2016 e 2024.
A adaptação continua a receber menos atenção que a mitigação. O financiamento destinado à adaptação representa 34,7 mil milhões de dólares em 2024, enquanto a mitigação domina o panorama com quase dois terços do montante. Para duplicar o financiamento da adaptação até 2025, conforme o Pacto Climático de Glasgow, é necessário um aumento de 5,8 mil milhões de dólares já no próximo ano.
Ligações de risco entre 2022 e 2024 indicam um crescimento anual modesto neste tipo de financiamento. O relatório aponta mecanismos emergentes como trocas de dívida por natureza e o apoio do Fundo Fiduciário de Resiliência e Sustentabilidade do FMI para colmatar lacunas.
Zonas vulneráveis mantêm assimetrias no acesso aos recursos. Países de rendimentos médios recebem a maior parte, com 39% para rendimentos médios-baixos e 32% para médios-altos no biénio 2023-2024. A Ásia (39%) e a África (29%) permanecem as principais beneficiárias desde 2016. Os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e os Países Menos Desenvolvidos recebem uma fatia maior da adaptação (46%), dependentes principalmente de financiamento público (86% a 89%), com o privado a representar apenas 7% a 10%.
Com o término da meta original dos 100 mil milhões em 2025, o foco desloca-se para o Novo Objectivo Colectivo Quantificado, acordado na COP29. O objetivo, que vigorará entre 2026 e 2035, exige uma mobilização anual de pelo menos 1,3 biliões de dólares, com os países desenvolvidos a assumirem um mínimo de 300 mil milhões por ano. O desafio passa por aumentar o montante e, sobretudo, assegurar a sua aplicação eficaz nos países mais expostos às consequências climáticas.
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