- Um estudo encomendado pela Greenpeace, realizado pelo SINTEF Ocean, detectou microplásticos em alimentos para bebés de Nestlé e Danone, embalados em bolsas flexíveis com tampa.
- Em três embalagens testadas, foram encontrados até 54 partículas de microplástico por grama em iogurte Gerber e até 99 partículas por grama em puré Happy Baby Organics.
- Os microplásticos foram encontrados em todas as amostras analisadas, com indícios de ligarem-se ao interior das embalagens, nomeadamente ao polietileno, e houve detecção de substâncias químicas associadas ao plástico, incluindo um disruptor endócrino na Gerber.
- O estudo sustenta que o risco está ligado ao stress oxidativo e a potenciais problemas de saúde, como inflamação, doenças cardiovasculares, respiratórias e cancro, preocupando pais de todo o mundo.
- A Nestlé afirmou levar a sério as preocupações, garantindo que os produtos são seguros e que há controlos rigorosos na produção e gestão de embalagens; a Greenpeace pediu esclarecimentos sobre medidas para eliminar microplásticos.
A investigação encomendada pela Greenpeace identificou microplásticos em alimentos para bebés embalados em bolsas flexíveis com tampa, um tipo de embalagem cada vez mais utilizado. O estudo analisou produtos das multinacionais Nestlé e Danone.
Foram detetadas até 54 partículas de microplástico por grama em iogurtes Gerber, da Nestlé, e até 99 partículas por grama em purés Happy Baby Organics, da Danone. As amostras pertencem a embalagens de formação recente e destinam-se sobretudo a mercados da América do Norte.
O estudo foi realizado pelo SINTEF Ocean, instituto de investigação norueguês, que avaliou três amostras de cada produto. Em todos os casos foram encontrados microplásticos, bem como substâncias químicas associadas ao plástico, incluindo um disruptor endócrino nas embalagens Gerber.
Os investigadores sugerem uma ligação entre o revestimento interior das embalagens, especialmente o polietileno, e os microplásticos detetados. Fragmentos com menos de cinco milímetros podem provocar stress oxidativo, com potenciais impactos na inflamação, cardio-respiratória e até câncer.
Joëlle Hérin, especialista da Greenpeace Suíça, descreveu o estudo como um alerta para famílias que confiam nestas marcas e pediu às multinacionais que expliquem as medidas para eliminar os microplásticos. A organização reforçou a importância de reduzir o uso de embalagens flexíveis.
A Nestlé informou que compreende as preocupações levantadas pelo estudo, que os seus produtos são seguros para consumo e que aplicam controles rigorosos na produção, incluindo na seleção e gestão das embalagens. A Danone não apresentou resposta direta no material fornecido pelo documento.
Dados de 2025 indicam que as embalagens flexíveis representam 37% do mercado mundial. A Greenpeace aponta que milhões de estas embalagens com alimentos são vendidas diariamente, o que implica uma exposição potencial de bebés a microplásticos.
As embalagens flexíveis correspondem a uma parte relevante da produção global de plástico, representando cerca de 40%. A organização defende um tratado global para limitar a indústria, com negociações dificultadas pela pressão de alguns países produtores de petróleo.
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