- A produção de plásticos circulares na Europa cresceu 1,2% entre 2022 e 2024, passando a representar 15,8% da produção europeia total, após um aumento de 13,6% entre 2018 e 2022.
- Mais de setenta por cento dos resíduos plásticos recolhidos acabam em aterros ou incineradoras.
- A procura europeia de plásticos circulares caiu para 4% em 2024, enquanto a produção mundial de plásticos circulares subiu para 7,7%.
- De acordo com o relatório, 19% da procura de plásticos circulares por parte dos transformadores foi satisfeita por importações e 12,4% dos resíduos recolhidos na UE são reciclados noutras regiões.
- A taxa de reciclagem dos resíduos recolhidos subiu para 29,6%, mas 48,9% são incinerados e 21,5% acabam em aterros; críticos apontam custos energéticos e de matérias-primas como fatores da desaceleração.
A associação Plastics Europe revelou hoje um relatório sobre a economia circular na Europa, com dados de 2024. O estudo mostra que o crescimento anual da produção de plásticos circulares abrandou de 13,6% (2018-2022) para 1,2% (2022-2024). No total, os plásticos circulares representam 15,8% da produção europeia, enquanto mais de 70% dos resíduos plásticos recolhidos vão para aterro ou incineração.
A situação contrasta com o desempenho mundial, onde a produção de plásticos circulares cresceu 7,7% ao ano. A procura europeia por plástico circular também perdeu força, caindo de 16,2% em 2022 para 4% em 2024, segundo a associação. A crise de competitividade é apontada como fator que mina os objetivos climáticos e a autonomia estratégica.
De acordo com o relatório, 19% da procura de plásticos circulares pelos transformadores europeus foi satisfeita por importações, e 12,4% dos resíduos recolhidos na Europa são reciclados noutras regiões. A dependência externa é ainda maior no caso dos plásticos de origem fóssil.
Desempenho da economia circular
Rob Ingram, presidente da Plastics Europe e diretor executivo da Ineos Olefins & Polymers Europe, considera a desaceleração preocupante e aponta custos energéticos, de matérias-primas e de emissões, bem como a falta de condições de comércio justo, como fatores determinantes. A atual trajetória é descrita como descarbonização por desindustrialização.
Apesar disso, o relatório indica um aumento da reciclagem entre os resíduos recolhidos na Europa, que passou para 29,6%. No entanto, 48,9% dos resíduos ainda vão para incineração e 21,5% terminam em aterros. A direção-geral da Plastics Europe reforça a necessidade de tratar os resíduos plásticos como um ativo e de promover políticas regulatórias que tornem a reciclagem economicamente atractiva na região.
Virginia Janssens destaca a importância de reduzir a vulnerabilidade europeia a choques relacionados com recursos fósseis e defende uma economia circular como necessidade inegociável, não apenas opção. O relatório também aponta que a produção de plásticos fósseis recuou 8,3% entre 2022 e 2024, situando-se em 43,3 milhões de toneladas.
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