- Recifes de Abrolhos perderam cerca de 15% da cobertura de corais ao longo de dezoito anos, devido a alterações climáticas e à atividade humana.
- Ondas de calor marinhas associadas à crise climática intensificaram o branqueamento em massa, que debilita a saúde dos corais.
- Os corais ramificados de maior porte estão a ser substituídos por espécies de crescimento mais rápido, com menos benefícios ecológicos.
- As áreas marinhas protegidas do Parque Nacional de Abrolhos não impediram o declínio, apontando para insuficiência face à crise climática global.
- Os cientistas defendem que é necessário reduzir drasticamente o aquecimento global para permitir a recuperação, já que a temperatura média mundial já subiu entre 1,3 e 1,4 graus Celsius acima do período pré-industrial.
O recife de Abrolhos, no litoral da Bahia, registou uma redução de cerca de 15% na cobertura de corais ao longo de 18 anos, entre 2006 e 2023. O estudo aponta como principais causas as alterações climáticas e a pressão humana, que afetam a saúde do ecossistema com maior biodiversidade do Atlântico Sul.
Investigadores brasileiros, com base no Rio de Janeiro, destacam que episódios de branqueamento em massa foram intensificados pelas ondas de calor marinhas associadas à crise climática. O fenómeno leva à expulsão de algas pelos corais, comprometendo a saúde dos cnidários a longo prazo.
O trabalho, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, analisa mudanças profundas nas comunidades de corais, incluindo o colapso de forma ramificada de maior porte, que sustenta a estrutura do recife. A substituição por espécies de crescimento mais rápido reduz benefícios ecológicos.
Mudanças insidiosas
A investigação aponta que a atividade humana agrava os danos, com sedimentos gerados pela dragagem no canal de navegação do Porto de Caravelas a comprometer a qualidade da água e a sufocar os corais. As áreas marinhas protegidas do Parque Nacional de Abrolhos mostraram-se insuficientes para deter o declínio.
O estudo descreve a sobreposição entre crise climática e impactos locais, reiterando que a conservação isolada não basta. A rede de proteção ambiental continua a ser fundamental para a biodiversidade, mas enfrenta limites diante daprogressiva alteração climática.
Ricardo Gomes, biólogo do Instituto Mar Urbano, reforça que os recifes de Abrolhos asseguram pesca, turismo, emprego e subsistência costeira. O especialista alerta que o risco de colapso abrange não apenas a vida marinha, mas a biodiversidade costeira brasileira como um todo.
Observa-se que os recifes coralinos são vitais para a economia costeira e para a manutenção de ecossistemas marinhos, sublinhando a necessidade de ações climáticas mais agressivas para limitar o aquecimento global e preservar o equilíbrio do Atlântico Sul.
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