- Em 2025 a Europa aquece cerca de duas vezes mais rápido do que a média global, já com um aumento de cerca de 2,5 °C face ao período pré‑industrial.
- O relatório Estado do Clima na Europa 2025 descreve um continente em fase de instabilidade climática estrutural, com extremos de temperatura, precipitação, seca, incêndios e perda de gelo, com Portugal em destaque.
- Pelo menos 95% da Europa registou temperaturas anuais acima da média em 2025, um sinal de que o aquecimento é generalizado.
- Em 2025 verificou‑se um dos maiores incêndios já registados, com a área ardida na Europa a superar 1,034 milhão de hectares; Espanha e Portugal são bastante afetados.
- Os oceanos europeus estão mais quentes, com 86% da área marinha afectada por ondas de calor marinha; a biodiversidade está sob pressão e os habitats já mostram deslocações e reduções.
O Serviço Copérnico para as Alterações Climáticas (C3S) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgaram o relatório Estado do Clima na Europa 2025. Mostra que a Europa aquece cerca de duas vezes a taxa global, com aumentos acima de 2,5 °C desde o período pré‑industrial. Portugal surge como exemplo paradigmático deste fenómeno.
O documento, baseado em mais de 45 conjuntos de dados e trabalhos de 100 cientistas, aponta instabilidade climática estrutural. Extremos de temperatura, seca, incêndios e perda de gelo ganham expressão, não devendo ser vistos como episódios isolados. O Norte e o Mediterrâneo representam o intervalo de impactos.
Em 2025, pelo menos 95% da Europa registou temperaturas anuais acima da média, sinal de aquecimento generalizado. O continente enfrenta eventos cada vez mais graves, incluindo ondas de calor, secas prolongadas e maior frequência de incêndios, com Portugal entre os territórios mais expostos.
Quadro geral do aquecimento
A média de temperatura global aumentou 0,27 °C por década nos últimos 30 anos. A Europa, contudo, tem registado um ritmo superior ao dobro desse valor, o que intensifica riscos ambientais e sociais. Cinco dos anos mais quentes ocorreram desde 2019.
Impactos na região
O relatório descreve impactos severos: ondas de calor em terra e mar, secas, incêndios florestais e perda de biodiversidade. Em 2025, a área ilhada por neve na Europa foi 31% abaixo da média, com gelo glacial a recuar em todos os glaciais europeus.
Incidência de calor extremo e marinho
No verão de 2025, o Sul registou temperaturas superiores a 40 °C; ao Norte, ocorreu uma onda de calor de três semanas no Círculo Ártico, com 34,9 °C registados na Noruega. Ondas de calor marinhas intensificaram o aquecimento de habitats, agravando riscos para a saúde pública e para ecossistemas.
Recursos hídricos e incêndios
A Europa viveu um ano seco, com cerca de 70% dos rios abaixo da média. Mais da metade do território enfrentou condições de seca em maio. Em 2025, o fogo atingiu temperaturas históricas, com mais de 1 milhão de hectares ardidos no continente.
Oceanos e biodiversidade
A temperatura da superfície do mar atingiu níveis recordes por quarto ano consecutivo. 86% da área oceânica europeia sofreu ondas de calor marinhas, com 36% em condições severas. A biodiversidade é pressionada pela mudança climática, o que reduz a capacidade de recuperação dos ecossistemas.
Energia e transição
Em 2025, 46,4% da eletricidade europeia teve origem em fontes renováveis, destacando solar como marco histórico. Mesmo assim, os impactos climáticos continuam a afetar setores estratégicos, desde a energia à saúde pública.
Portugal no centro
Portugal aparece como exemplo de vulnerabilidade, com confrontos entre períodos de precipitação intensa e calor extremo. O país enfrentou riscos de incêndios e desafios na gestão do território, refletindo a nova normalidade climática europeia.
O relatório sublinha a necessidade de ações rápidas de mitigação e adaptação, para acompanhar o ritmo do aquecimento. As autoridades deverão coordenar respostas em energia, floresta, agricultura e saúde para reduzir danos e preservar ecossistemas.
Conclusão
A edição de 2025 do Estado do Clima na Europa reforça que as alterações climáticas já são uma realidade presente, não um cenário futuro. A velocidade do aquecimento europeu exige medidas urgentes e contínuas de política pública, ciência e financiamento.
Entre na conversa da comunidade