- Intervenção na muralha de Trancoso ocorre durante a época de nidificação do andorinhão-preto, o que as associações consideram proibido por lei.
- A colónia de andorinhões-preto na muralha é descrita como a maior do país, com estimativas de mais de 300 a 400 ninhos, e as aves enfrentam perturbações devido a andaimes e redes.
- Organizações ambientais denunciaram a situação, pedindo ações do ICNF e SEPNA, e lembraram que a continuação das obras durante o período de reprodução viola a legislação de proteção das espécies.
- O município afirma que as obras são urgentes, afetam menos de 10% do perímetro e contam com “soluções técnicas” para proteger a espécie, embora não tenha havido ações visíveis até ao momento.
- Quem denunciou a situação destaca que, mesmo com promessas, a muralha continua a ser intervencionada e teme-se que a colónia possa perder ninhos, com impactos culturais e ecológicos na região.
A intervenção na muralha de Trancoso, designada como recuperação do troço fronteiriço, tem ocorrido numa época de nidificação da espécie andorinhão-preto. Associações ambientalistas alertam para o risco de perturbação de mais de 300 a 400 ninhos na maior colónia do país.
Alunos de escolas de Trancoso acompanharam a visita orientada pelo Laboratório Rural e pelo CERVAS/Associação Aldeia, com o apoio do município, para observar os andorinhões que chegam de África. Ao chegar ao local, o grupo deparou-se com obras já em curso na muralha.
O episódio desencadeou contactos com o ICNF e o SEPNA da GNR, sem resultados visíveis, segundo as organizações. O conjunto de entidades que orientava a visita pediu explicações à autarquia e reiterou a preocupação com a proteção da espécie durante a reprodução.
No final do dia, o município de Trancoso reiterou que a intervenção afeta menos de 10% do perímetro da muralha e que o objetivo é evitar o colapso causado pela drenagem de águas pluviais. A éreoda-do-ano passado foi apontada como fator agravante pelo último Inverno.
O que está em causa
Ricardo Brandão, do CERVAS, acusa a obra de avançar de forma mais extensa e de não observar a restrição legal de não realizar obras durante a reprodução do andorinhão-preto. O médico-veterinário diz que a continuidade dos trabalhos pode violar a legislação que protege ninhos e perturba a espécie.
Reações e próximos passos
As associações permanecem firmes na denúncia e pedem paragem temporária das obras até ao fim do período de nidificação. Referem que existem exemplos de boas práticas em Portugal que conciliam património e biodiversidade, citando Guimarães e a Lourinhã como referências. O ICNF ainda não respondeu formalmente aos pedidos de esclarecimento.
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