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Vida selvagem domina paisagem radiativa de Chernobyl após 40 anos

Quarenta anos após o desastre, a vida selvagem ocupa a Zona de Exclusão de Chernobyl, com cavalos-przewalski e outras espécies a dominar o território

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  • Desde a explosão de 1986 na central de Chernobyl, a cidade de Pripyat foi evacuada e a Zona de Exclusão de Chernobyl permanece praticamente abandonada, com acesso restringido.
  • A vida selvagem voltou à região: cavalos-de-Przewalski, ursos pardos, linces, alces, veados-vermelhos e lobos aparecem na zona, mesmo em solos contaminados.
  • Cientistas relatam mutações e deformidades em plantas e animais, incluindo insetos assimétricos e sapos com pele mais escura; fungos escuros foram encontrados dentro de edifícios do reator.
  • A Agência Internacional de Energia Atómica aponta que, mesmo com níveis de radiação elevados, a flora e a fauna têm mostrado recuperação expressiva, sobretudo dentro da ZEC, apesar de restos de contaminação no solo.
  • A guerra na Ucrânia desde 2022 transformou a área num corredor militar, com incêndios e deslocação de atividades humanas, o que pode aumentar riscos de dispersão de partículas radioativas.

Após a explosão do reator 4 da central de Chernobyl, em 26 de abril de 1986, Pripyat foi evacuada e centenas de milhares de pessoas deixaram a região. Hoje, no entanto, a vida selvagem reconquista paisagens radiativas que ficam quase desertas para os humanos.

A Zona de Exclusão, criada ao redor da central e que abrange cerca de 2800 km², continua praticamente vazia. O acesso permanece restrito, com limitações para crianças, mas animais de várias espécies ocupam o espaço antes ocupado pela população humana.

Vida selvagem ressurge na zona radiativa

Cavalos-de-Przewalski, introduzidos na região em 1998, percorrem solos contaminados sem interferência humana. Ursos pardos, linces, alces e veados-vermelhos também retornaram, acompanhados por grupos de cães. O regresso é observado como um fenómeno de recuperação rápida da natureza.

Relatórios de pesquisadores indicam mutações em plantas e organismos, bem como animais com deformidades físicas em alguns casos. Mesmo assim, a fauna multuplicou-se, com espécies como castores, lobos, javalis e bisontes-europeus a surgir com maior abundância.

Alterações na fauna e evidência científica

A imprensa britânica descreveu insetos com assimetria, aves com anomalias e fungos escuros em zonas desabitadas. Espécimes com pele mais escura de sapos também foram notados, sinalizando adaptação à radiação residual.

A aplicação de dados da AIEA confirma que a radiação provocou mudanças visuais em algumas espécies e que, apesar dos níveis persistirem, a paisagem natural está a recuperar-se, especialmente na floresta.

O impacto da radiação ao longo do tempo

O compartilhamento de informações indica que, nos dias seguintes ao acidente, a floresta apresentou níveis letais de radiação em torno de sete quilômetros do reator, associados a uma zona conhecida como floresta vermelha. A radioatividade diminuiu significativamente com o tempo.

Relatórios do PNUA indicam que a maior parte da contaminação inicial dissipou-se num período de meses, com redução para menos de 1% após um ano. A vegetação e a fauna demonstram resiliência e recuperação acelerada.

A guerra e a zona de exclusão

A invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, trouxe novamente Chernobyl ao centro da atenção. Combates ocorreram nas imediações e a área passou a ser um corredor militar fortemente vigiado, com barreiras, arame farpado e minas.

Os efeitos da guerra estenderam-se a cortes de energia e incêndios regionais. Incêndios florestais ligados ao conflito aumentaram o número de árvores derrubadas e de animais mortos, elevando o risco de dispersão de partículas radioativas.

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