- Os macacos-de-Gibraltar têm aumentado a geofagia ( ingestão de terra) para além do consumo de comida oferecida por turistas.
- O comportamento foi observado pela primeira vez num estudo da Universidade de Cambridge, que acompanhou a única população de macacos livres na Europa.
- O registo ocorreu ao longo de 98 dias, com 46 episódios de ingestão de terra em 44 animais diferentes.
- Em três casos, a geofagia seguiu logo de perto o consumo de doces ou salgados oferecidos pelos turistas: gelado (7 minutos), bolachas (48 minutos) e pão (6 minutos).
- O estudo indica que os alimentos processados, ricos em calorias, açúcar, sal e laticínios, podem alterar o microbioma intestinal e o comportamento dos macacos; na reserva de Gibraltar existe uma estação de alimentação protegida por cuidadores.
Os macacos-de-Gibraltar estão a mudar hábitos alimentares, alegadamente devido aos alimentos oferecidos por turistas. Um estudo da Universidade de Cambridge analisa como a geofagia surge para aliviar desconfortos gastrointestinais. Gibraltar é a única população de macacos livres na Europa.
Entre o verão de 2022 e a primavera de 2024, os investigadores acompanharam 98 dias de observação. Registaram 46 eventos de ingestão de terra em 44 animais diferentes. Três casos ocorreram logo após a ingestão de comida de turista.
Mudanças no comportamento
Segundo o estudo, o consumo de terra surge após refeições como gelado, bolachas e pão. O chocolate, snacks e gelados consumidos a partir de turistas alteram o microbioma intestinal dos macacos. A equipa aponta que tais alimentos são ricos em calorias, açúcar, sal e laticínios.
Os dados indicam que 30% dos eventos ocorreram em grupo, com vários animais a partilhar a terra do mesmo afloramento rochoso. Além disso, 89% dos incidentes aconteceram na presença de outros macacos que observavam a ação.
A reserva de Gibraltar mantém uma estação de alimentação para as colónias, com cuidadores que fornecem fruta e pedem que os macacos não recebam alimento de turistas. A pesquisa, publicada na Scientific Reports, reforça a necessidade de gestão para limitar a geofagia.
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