- Organizações ambientalistas lamentam que a Comissão Europeia tenha apresentado medidas tímidas para enfrentar a crise dos combustíveis, sem um plano abrangente para acelerar a eletrificação dos veículos.
- A Transportes e Ambiente (T&E) critica a ausência de um imposto sobre lucros extraordinários das petrolíferas, estimados em 37 mil milhões de euros, para financiar soluções como mais veículos elétricos.
- A Comissão anunciou a criação de um Observatório de Combustíveis para monitorizar reservas na UE e atuar ante eventuais escassezes, mas não sugeriu medidas para reduzir o consumo de energia.
- O Gabinete Europeu do Ambiente (EEB) também lamenta a ausência de tributação sobre lucros extraordinários, reconhecendo mérito em medidas para reduzir preços através da eletrificação e poupança de energia.
- A associação Zero defende que a UE deve reduzir rapidamente a dependência de combustíveis fósseis, destacando a eletrificação do transporte, mais renováveis e apoio a famílias vulneráveis, evitando medidas temporárias com efeitos limitados.
As medidas apresentadas pela Comissão Europeia para enfrentar a crise dos combustíveis foram recebidas com reservas por várias organizações ambientais na Europa. A sensação é de que as propostas são insuficientes e não atacam a raiz do problema.
A Transportes e Ambiente (T&E) afirma que a Comissão desperdiçou a oportunidade de tributar lucros excessivos das petrolíferas, defendendo que as medidas são apenas paliativas. A organização destaca a falta de um plano para acelerar a eletrificação dos veículos.
A Comissão anunciou a criação de um Observatório de Combustíveis para monitorizar reservas na UE e agir ante eventuais escassezes. Contudo, não foram apresentadas recomendações para reduzir o consumo, como teletrabalho ou alternativas ao avião e ao automóvel.
Relativamente à ideia de um imposto sobre lucros extraordinários das petrolíferas, Bruxelas indicou que os Estados-membros podem avançar, mas que é difícil aplicar a nível europeu. A ausência de tal imposto é alvo de críticas.
Para a T&E, a ausência de tributo a lucros extraordinários, estimados em 37 mil milhões de euros, é a falha mais relevante. A organização também defende acelerar a transição para veículos elétricos com incentivos financiados por essas receitas.
O Gabinete Europeu do Ambiente (EEB) também lamenta a ausência de tributação dos lucros extraordinários, reconhecendo, no entanto, mérito nas medidas para reduzir preços via eletrificação e poupança de energia.
Luke Haywood, responsável pela área de clima e energia do EEB, critica a dependência de combustíveis fósseis e os subsídios ao petróleo, que favorecem uma solução cara e pouco eficaz para reduzir o consumo.
A associação ambiental portuguesa Zero também reagiu, pedindo que a UE reduza rapidamente a dependência de combustíveis fósseis e não aposte apenas em medidas temporárias. Estão em foco o transporte público, renováveis e armazenamento de energia.
A Zero realça que Portugal deve acelerar a eletrificação, com prioridade ao transporte coletivo, ampliar renováveis e apoiar famílias vulneráveis em termos energéticos, incluindo teletrabalho como medida adicional.
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