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Incêndios: Viegas admite negligência e denuncia rede eléctrica abandonada

Xavier Viegas admite negligência e alerta para a rede eléctrica abandonada, exigindo mais supervisão e mitigação de incêndios noturnos

Domingos Xavier Viegas, professor da Universidade de Coimbra e especialista em incêndios florestais
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  • Domingos Xavier Viegas disse aos deputados que há dúvidas sobre ações concertadas nos negócios dos fogos, mas admite alguma negligência e necessidade de maior supervisão do sistema.
  • O investigador reconhece a possibilidade de ataques fraudulentos sem ter conhecimento direto de atividades ilícitas ligadas a madeireiros ou empresas de apoio ao combate.
  • Destaca uma “negligência” na rede eléctrica, incluindo a ausência de retardantes no combate e falta de dados sobre movimentos de aeronaves e descarregamento de helicópteros e aviões.
  • aponta que a rede eléctrica de baixa tensão está “abandonada” e que a gestão inadequada pode explicar incêndios que começam à noite, exigindo maior vigilância e manutenção.
  • Sugere medidas de mitigação como mosaicos de descontinuidade na floresta (fragmentação da biomassa) e maior envolvimento cívico, com reforço de programas como “Aldeias Seguras, Pessoas Seguras”.

Domingos Xavier Viegas, professor da Universidade de Coimbra e especialista em incêndios florestais, afirmou aos deputados da Assembleia da República que não pode excluir ações fraudulentas associadas a negócios ligados aos fogos, embora duvide da sua dimensão. Sublinhou que o sistema exige maior supervisão e transparência, para evitar negligências que possam agravar os incêndios.

O investigador indicou que não dispõe de conhecimento directo de atividades ilícitas específicas ligadas a madeireiros ou fornecedores de material de combate aos incêndios, mas lembrou que não se pode excluir a existência de comportamentos negligentes no sector. Afirmou ainda que não houve indicação de concertação de grande escala.

Ao longo da audição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os incêndios florestais, Xavier Viegas referiu que a gravidade dos problemas não pode ser associada apenas a fraudes, destacando a necessidade de reforçar mecanismos de controlo e fiscalização. Manifestou dúvidas quanto à existência de uma prática coordenada de causar incêndios para beneficiar determinados intervenientes.

Negligência na rede eléctrica

O especialista apontou falhas na prática de combate, como a não utilização de produtos retardantes, o que reduziria a eficácia das operações, em especial dos meios aéreos. Também salientou a ausência de dados sobre o movimento das aeronaves, incluindo localização de voos e pontos de descarga de helicópteros e aviões, bem como preocupações com a gestão das faixas de rede de baixa tensão.

Recordou que a falta de manutenção de infraestruturas elétricas, associada à E-Redes (subsidiária da EDP), já esteve na origem de incêndios graves e de mortes. Alertou para o aumento de fogos com origem nocturna na rede elétrica, sobretudo em períodos de vento.

Para Viegas, a rede eléctrica abandonada no território, associada a condições nocturnas, constitui uma causa relevante que exige atenção. A sociedade deve dedicar mais esforço para investigar devidamente este tema e não desvalorizá-lo.

Perigos do eucalipto

O especialista destacou que, para além da gestão de combustível, existem características próprias do eucalipto que agravam o risco de incêndio. Em termos físicos, o eucalipto tende a queimar com maior facilidade que outras espécies, o que eleva o perigo de propagação.

Propôs estratégias de mitigação que passam pela interrupção da continuidade de grandes áreas arborizadas. Sugeriu criar mosaicos de descontinuidade para dificultar a progressão das chamas, adotando práticas internacionais de gestão de combustíveis.

Entre as medidas apontadas está a fragmentação das operações de limpeza de biomassa, assim como a poda repartida das árvores, de modo a manter maior controlo sobre o combustível acumulado e reduzir a intensidade dos incêndios.

Cidadãos mais envolvidos

O pesquisador enfatizou que o sistema requer maior supervisão, tanto por parte dos cidadãos como das entidades competentes. Defendeu o reforço da participação cívica e de investimentos em programas de proximidade com as populações, como o conceito Aldeias Seguras, Pessoas Seguras, para aumentar o impacto positivo das ações de prevenção e resposta.

Viegas insistiu que o sistema atual funciona de forma insuficiente e que é necessário identificar e corrigir falhas estruturais para melhorar a eficácia do combate aos incêndios. A CPI, nesta linha, deve orientar medidas que vão além da detecção de fraudes para abarcar uma revisão mais ampla do funcionamento do setor.

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