- Estima-se que as famílias portuguesas desperdicem cerca de mil toneladas de alimentos por dia, extrapolando os dados de Ourique para o conjunto nacional.
- Em Ourique, três circuitos porta-a-porta num total de 150 habitações e dois estabelecimentos do canal HORECA revelaram que 51% dos resíduos indiferenciados são biorresíduos, com o desperdício alimentar a representar 28% desses biorresíduos e 16% do total.
- O estudo, desenvolvido com o município de Ourique no âmbito do programa Zero Waste Cities, analisou 250 kg de resíduos ao longo de um ano.
- Se a tendência se mantiver, seria cerca de 376 mil toneladas de desperdício por ano a nível nacional, equivalente a 38 kg por habitante por ano.
- Considerando a recolha de indiferenciados três vezes por semana, o estudo aponta que, nos três bairros analisados, o desperdício anual de alimentos nos resíduos indiferenciados excederia as 12 toneladas.
A Zero, associação ambientalista, apresentou um estudo sobre desperdício alimentar em Portugal. O foco foi uma amostra de Ourique, no Alentejo, para o Dia Internacional do Resíduo Zero. Os resultados apontam para desperdícios elevados nas habitações.
A pesquisa analisa resíduos indiferenciados de três circuitos porta-a-porta do concelho, recolhidos ao longo de um ano, com uma amostra total de 250 kg. A metodologia permitiu estimar comportamentos de consumo e descarte.
Resultados por bairro
Em Ourique, com 150 habitações e dois estabelecimentos do canal HORECA, 51% dos resíduos indiferenciados são bioresíduos. O desperdício de alimento representa 28% dos bioresíduos.
A zero indica que, mesmo com separação na origem, muitos alimentos acabam no lixo, incluindo restos de refeições, frutas, legumes, pão e alimentos em embalagens. O estudo descreve desperdício significativo entre os residentes.
Extrapolação para o país
A Zero sustenta que, se a situação se mantiver, uma cidade de 100 mil habitantes poderia desperdiçar até 3.760 toneladas por ano. Em termos nacionais, o estudo sugere cerca de 376 mil toneladas anuais de desperdício alimentar.
Segundo o informe, a estimativa corresponde a 38 kg/habitante/ano, equivalentes a quase mil toneladas por dia para o conjunto de Portugal. A metodologia baseou-se na amostra de Ourique para projeções nacionais.
Implicações e contexto
O estudo foi desenvolvido em colaboração com o município de Ourique, como parte do programa de certificação Zero Waste Cities. Os dados indicam que a recolha de fração indiferenciada ocorre três vezes por semana, o que influencia as estimativas anuais.
A Zero reforça que, mesmo com separação de biorresíduos, há uma parcela relevante de alimentos que não é reaproveitada, o que eleva o volume de resíduos a tratar. As possibilidades de melhoria passam por redução e doação de excedentes.
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