- Investigadores identificaram os primeiros microrganismos a colonizar os tubos de lava formados após a erupção do vulcão Tajogaite, em La Palma, a 19 de setembro de 2021, que durou oitenta e cinco dias.
- O estudo internacional envolve instituições portuguesas (Universidade de Évora e INESC TEC) e espanholas (IRNAS-CSIC, IGME-CSIC, universidades de Almería e Huelva), com participação da Federação Espeleológica das Canárias.
- Publicado na revista Environmental Microbiome, o trabalho analisa como os microrganismos chegam, adaptam-se a condições extremas e iniciam a formação de ecossistemas em espaços recém-criados pela atividade vulcânica.
- Os investigadores verificaram que os primeiros colonizadores chegam do exterior (ar, aerossóis, esporos, ou associados a animais) e ajudam a introduzir matéria orgânica que favorece o aparecimento de comunidades biológicas.
- Os resultados ajudam a entender a recuperação de ecossistemas após erupções e o potencial de uso de microrganismos para aplicações em saúde e biotecnologia, especialmente em ambientes subterrâneos como Marte.
Uma investigação internacional, com participação de instituições portuguesas, identificou os primeiros microrganismos a colonizar os tubos de lava formados pela erupção do vulcão Tajogaite, em La Palma. O estudo mostra como estes organismos ajudam a compreender a vida em ambientes extremos e a possibilidade de vida em Marte.
O trabalho envolve o IRNAS-CSIC e o IGME-CSIC, a Universidade de Almería e a Universidade de Huelva, com a colaboração da Universidade de Évora e do INESC TEC, e da Federação Espeleológica das Canárias. Publicado na Environmental Microbiome, descreve quem chega primeiro a estes tubos de lava recém-criados.
A erupção do Tajogaite ocorreu a 19 de setembro de 2021 e durou 85 dias. Os tubos de lava formaram um ambiente estéril, sem solo nem vegetação, que se tornou laboratório natural para estudar limites da vida. A ilha de La Palma, Espanha, é o foco inicial.
Entre as descobertas, os investigadores indicam que os primeiros microrganismos chegam do exterior, via aerossóis ou esporos, ou por associação a animais. A entrada de matéria orgânica favorece o estabelecimento de comunidades biológicas.
O estudo envolveu três campanhas de amostragem, com análise de ADN, bem como avaliação de minerais e condições ambientais. Temperatura, salinidade, ventilação e composição mineral condicionam a sobrevivência dos microrganismos.
Constata-se que os microrganismos não apenas habitam o ambiente, mas também participam na sua transformação. A formação de biofilmes nas rochas facilita a evolução do ecossistema subterrâneo e a eventual formação de solo fértil.
Os pesquisadores pretendem acompanhar a evolução dessas comunidades microbianas, para entender como ecossistemas respondem a eventos extremos, como erupções, e investigar potenciais aplicações em saúde e biotecnologia.
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