- Portugal continua entre os países europeus com maior dependência de aterros, com mais de 57% dos resíduos urbanos a serem enviados para aterro, e quase 1,5 quilos de lixo por pessoa por dia.
- O relatório What a Waste 3.0, baseado em dados de 2022, mostra o peso da prática de deposição em aterro no país e surge a poucos dias do Dia Internacional do Lixo Zero.
- Em comparação na UE, alguns países já têm taxas de deposição em aterro iguais ou inferiores a 5%, enquanto Portugal mantém uma posição ainda dependente de aterros (57%).
- Em 2022, as taxas de reciclagem em Portugal estiveram acima das metas para embalagem de papel e cartão, plástico, metal e madeira, mas o vidro ficou aquém (56,9% vs. 60%).
- As projeções indicam aumento do volume de resíduos: 5,6 milhões de toneladas em 2030, até 5,84 milhões em 2050, mesmo com a população a diminuir para cerca de 9,8 milhões.
Portugal continua entre os países europeus que enviam mais da metade do lixo para aterros. O que aconteceu é que 57% dos resíduos urbanos do país vão para aterro, segundo o relatório What a Waste do Banco Mundial, com dados de 2022.
O estudo, divulgado esta semana, marca a agenda do Dia Internacional do Lixo Zero. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) forneceu os dados nacionais, que não são animadores, e revelam uma dependência elevada de aterros no país.
Portugal figura entre os países da UE com maior dependência de aterros, ficando acima da média regional de 37%. Malta, Roménia, Grécia e Chipre aparecem na lista à cabeça.
Diferença entre países e objetivos europeus
Alguns estados-membros já têm taxas de deposição em aterro iguais ou inferiores a 5%. Países como Áustria, Dinamarca, Bélgica, os Países Baixos e a Suécia destacam-se nesse grupo, alinhados com a meta europeia de 10% até 2035.
Globalmente, apenas 21% do lixo é reciclado ou compostado. Regiões de rendimento mais baixo registam 72% de resíduos não recolhidos, acabando nos contentores sem controlo ambiental.
Desempenho de Portugal e comparação internacional
Portugal apresenta recolha formal quase universal e integra o grupo de países de rendimento elevado, mas a circularidade ainda fica aquém da massa de referência mundial. Cidades como Liubliana ou São Francisco mostram patamares de reciclagem muito superiores aos de Portugal.
A taxa de reciclagem urbana em Portugal é de 32%, segundo o Relatório do Estado do Ambiente 2025, perto de metade dos resultados de líderes internacionais. A meta europeia para 2025 é de 55%.
Perspetivas futuras e evolução nacional
As projeções What a Waste 3.0 indicam aumento de resíduos gerados. Em 2022, Portugal produziu 5,27 milhões de toneladas, passando a 5,55 milhões em 2024, segundo o RARU 2024. O Banco Mundial prevê 5,6 milhões em 2030 e 5,84 milhões em 2050.
Mesmo com maior infra-estrutura, persiste o desafio da redução de dependência de aterros, sobretudo num cenário de queda populacional prevista para o país até 2050.
Desperdício alimentar em Portugal
O INE aponta que cada português desperdiça cerca de 183 quilos de alimentos por ano. Em 2023, o desperdício atingiu 1,9 milhões de toneladas, com as famílias responsáveis por 66,8% desse valor.
Comércio e distribuição contribuíram com 12%, restauração e hotelaria com 11,5%, produção primária com 6,8% e indústria com 2,9%. O tema continua a exigir resposta coordenada entre setores.
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