- Vai emitir vales para apoiar a limpeza de terrenos florestais pelos proprietários, com demonstração de responsabilidade por aquele hectare e recurso a um sistema semelhante ao E-Lar.
- Vai avançar com um novo concurso para aquisição de veículos elétricos e reforçar o programa de energia solar em zonas isoladas, devido à guerra e ao aumento do preço dos combustíveis.
- Descarregas de barragens e cheias controladas contribuíram para evitar grandes inundações em Lisboa; há obras de recuperação no litoral, de norte a sul do país.
- O projecto da barragem de Girabolhos, com participação hidroeléctrica e controlo de cheias do Mondego, está a ser revisto, mantendo fins de produção de energia e redução de cheias, mas pode diferir do plano originalmente definido até 2016.
- Reforçar a resiliência hídrica passa pela poupança de água, maior armazenamento por bombagem e promoção de autoconsumo; o ICNF poderá intervir em imóveis sem dono para limpeza de terrenos, com apoio a proprietários.
Graça Carvalho afirmou que o Governo vai emitir vales para apoiar proprietários florestais na limpeza de terrenos, numa altura em que Portugal encara os efeitos da guerra e a crise dos combustíveis. A ministra mostrou prioridade na electrificação do país e na recuperação das zonas afetadas.
A ideia é acelerar o calendário de apoio à aquisição de veículos eléctricos, com novos concursos públicos em breve. A narrativa é de que o país precisa de reforçar a resiliência energética e de adaptar a infraestrutura às mudanças climáticas por meio de medidas rápidas e eficazes.
A ministra destacou que as descargas de água das barragens, feitas desde janeiro, permitiram evitar uma catástrofe. Segundo Graça Carvalho, Lisboa não teria passado ilesa caso não tivesse havido a gestão de cheias, com cheias controladas consentidas por autarcas.
Segundo a defesa, a região ribeirinha de Lisboa poderia ter registado inundações significativas. O PE, o território e as barragens da Aguieira e Fronhas foram apontados como fundamentais na contenção do enchimento dos sistemas hídricos durante três semanas de chuva acima da média.
Estratégia climática e obras essenciais
A executiva apontou que o país enfrenta uma nova realidade climática: invernos com precipitação concentrada e verões com incêndios. A prioridade é reconstruir o que ficou danificado e reforçar infraestruturas em áreas de litoral, norte a sul.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está a acompanhar a obra da barragem de Girabolhos, com objetivo de protegê-la contra enchentes no Mondego. O projeto, que pode manter funções hidroelétricas, é visto como instrumento adicional de gestão de cheias.
Apesar de críticas à regulamentação anterior, a líder explicou que o novo concurso pode manter fins múltiplos, com produção de energia e controlo de cheias. O plano não afasta a ideia de ajustar o projeto, sem esclarecer detalhes exatos.
Gestão da água e energia
O Programa de Recuperação e Resiliência (PTRR) aponta para a construção de novas barragens como opção de último recurso. A prioridade recai sobre poupança, redução de perdas e melhoria da capacidade das infraestruturas já existentes.
A ideia de maior armazenamento por bombeamento foi defendida, pois 83% da electricidade portuguesa provém de renováveis, com significativo contributo hídrico. Sem mais água armazenada, o aumento de renováveis fica limitado.
Sobre a rede eléctrica, a aposta passa pela resiliência e pelo autoconsumo, especialmente em áreas remotas. O objetivo é permitir que famílias e empresas gerem energia localmente, com painéis solares e baterias, quando possível.
Antecipação de custos e decisões
A ministra reconheceu que o ano de 2026 é exigente financeiramente, com custo elevado de combustíveis. A escolha entre investir em veículos eléctricos ou em obras de recuperação é feita de forma gradual, com planos para avançar com painéis fotovoltaicos nas zonas afetadas.
Quanto ao enterramento de linhas eléctricas, o cenário aponta para implementação principalmente em áreas urbanas. O governo analisa relatórios para confirmar a viabilidade de aumentar o percentage de infraestruturas subterrâneas.
Floresta, prevenção e participação pública
Para a prevenção de incêndios, está a ser implementada uma operação coordenada com o Plano de Recuperação e Resiliência. O objetivo é apoiar proprietários na limpeza de terrenos, com financiamento e vales de apoio.
No terreno, proprietários afirmam que, com financiamento, conseguem limpar. O Governo pretende lançar um mecanismo de vales semelhante ao E-Lar para agilizar a ação, com comprovação de responsabilidade sobre hectares a limpar.
O ICNF passa a ter poderes para actuar em propriedades sem dono declarado, com um decreto que facilita intervenções de limpeza. A prioridade é a atuação rápida para reduzir riscos nas áreas afetadas pelas intempéries.
Descentralização e governança regional
Sobre regionalização, Carvalho defende reconstrui r o país com foco em modernização e competitividade, valorizando a participação de juntas de freguesia. A gestão regional exige equilíbrio entre estruturas existentes e eventuais camadas administrativas adicionais.
A dirigente frisou a necessidade de evitar excesso de burocracia, mantendo as câmaras municipais, as Comissões de Coordenação Regional e o Governo como principais interlocutores.
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