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Calor afeta até 75% das espécies animais, aponta estudo

Onda de calor de 25 de junho a 2 de julho de 2021 na costa oeste da América do Norte afetou mais de 75% das espécies estudadas e elevou os incêndios florestais em quase quatro vezes

Vagas de calor afetam até 75% das espécies animais, indica estudo
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  • A onda de calor de 25 de junho a 2 de julho de 2021, no oeste da América do Norte, esteve entre as mais extremas já registadas, com temperaturas que por vezes ultrapassaram os 50°C.
  • Um estudo na Nature Ecology & Evolution revela que mais de 75% das 49 espécies estudadas foram afetadas negativamente, com variações significativas entre populações.
  • Cracas e mexilhões registaram impactos severos, com mais de metade das cracas a não sobreviver e 92% dos mexilhões a morrerem; alguns patos-marinhos caíram 56% e avistamentos de caribus reduziram pela metade.
  • As algas alface-do-mar prosperaram, aumentando a área nas praias em 65%, enquanto regiões frias e húmidas absorveram 30% a mais de carbono e zonas quentes e secas absorveram 75% menos.
  • Incêndios florestais aumentaram 37% durante a onda de calor e 395% na semana seguinte; o caudal dos rios subiu 40% durante o evento e caiu abaixo da média no final do verão.

Onda de calor ocorrida entre 25 de junho e 2 de julho de 2021 no oeste da América do Norte foi uma das mais extremas já registadas a nível global, impulsionada pelas alterações climáticas. Em alguns locais, as temperaturas ultrapassaram os 50°C.

Um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution alerta para impactos em cascata nos ecossistemas, com consequências negativas para mais de 75% das 49 espécies terrestres e marinhas avaliadas. Os investigadores registaram aumentos de incêndios florestais e alterações na biodiversidade.

Para avaliar os efeitos, a equipa revelou dados meteorológicos, ecológicos e hidrológicos, aliados a informações sobre fogos e modelos científicos. A investigação destacou variações significativas nos impactos entre espécies e habitats.

Impactos na fauna

Mais de metade da população de cracas não sobreviveu, assim como 92% dos mexilhões. Alguns patos-marinhos registaram quedas de 56%, enquanto os avistamentos de caribus reduziram-se pela metade. Espécies móveis na fase de cria também foram duramente afetadas.

Segundo os autores, animais sem capacidade de fuga sofreram mais; crias presas nos ninhos também ficaram expostas ao calor extremo, com consequências graves para a reprodução.

Perspectivas para a vegetação e carbono

Algas alface-do-mar resistiram melhor ao calor e multiplicaram-se, aumentando a sua área em 65% nas zonas costeiras. Regiões frias e húmidas absorveram 30% a mais de carbono, enquanto zonas quentes e secas absorveram 75% a menos.

Os investigadores também observaram que o caudal dos rios subiu 40% durante a onda de calor, promovido pelo degelo, mas recuou abaixo da média no final do verão. O aumento de incêndios florestais ocorreu 37% durante o evento e 395% na semana seguinte.

Conclusões da pesquisa

Os autores destacam que ondas de calor extremas podem provocar impactos em cascata nos ecossistemas. Concluem que é necessário melhorar ferramentas de monitorização científica e de previsão para mitigar efeitos futuros.

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