- Horas anuais com calor que restringe qualidade de vida duplicaram desde meados do século XX; temperaturas acima de trinta graus causam stress térmico e afetam a saúde.
- Entre 1950–1979 e 1995–2024, adultos entre dezoito e quarenta anos passaram de cerca de vinte e cinco para cinquenta horas por ano com restrições graves da qualidade de vida por calor; idosos passaram de cerca de seiscentas para cerca de trezentas? (corrija: cerca de novecentas) horas anuais.
- Em 2024, mais de quarenta e três por cento dos jovens adultos e quase 80 por cento dos idosos enfrentaram períodos em que calor e humidade limitaram seriamente a vida diária, frente a 1950, quando eram 27% e 70%.
- Regiões com maior aumento de calor que restringe a vida diária incluem o sudoeste e leste da América do Norte, sul da América do Sul, leste do Saara, grande parte da Europa, sudoeste e leste da Ásia e sul da Austrália.
- Os investigadores defendem medidas como refrigeração, infraestrutura adaptada e árvores urbanas, destacando que o acesso não é universal e que reduzir emissões de combustíveis fósseis é essencial para mitigar o fenómeno.
O tempo de exposição a temperaturas que dificultam atividades diárias aumentou de forma expressiva desde os anos 1950. Um estudo internacional, divulgado na Environmental Research: Health, analisa o impacto de calor extremo na qualidade de vida.
De modo global, adultos jovens e de meia-idade passaram a enfrentar mais horas por ano com restrições graves da vida quotidiana por calor e humidade elevadas. O resultado mostra um aumento marcado entre 1950-1979 e 1995-2024.
Para pessoas com mais de 65 anos, o estudo aponta um crescimento de cerca de 50% nas horas de calor que limitam atividades, face aos anos de meados do século XX. O corpo envelhece e regula melhor o calor com menos facilidade.
A equipa da Universidade Estadual do Arizona define zonas de calor como aquelas em que não é seguro realizar atividades mais exigentes, mesmo à sombra, sem consumo adicional de energia para manter a temperatura corporal.
A coautora Jennifer Vanos explica que o estudo olha para o que o corpo pode fazer com o calor, não apenas para a sensação térmica. O objetivo é perceber a segurança de atividades diárias sob calor extremo.
Os investigadores estimaram a atividade física que pode ser realizada sem aumentar desproporcionalmente a temperatura corporal, usando registos históricos de temperatura e humidade de 1950 a 2024.
A análise cruzou dados com a população mundial para identificar quem está mais exposto e onde as políticas de proteção precisam de reforço.
Entre 1950-1979, adultos entre 18 e 40 anos tiveram em média 25 horas por ano com restrições graves. Entre 1995-2024, esse valor subiu para perto de 50 horas.
Para os mais velhos, as horas passaram de cerca de 600 para aproximadamente 900 por ano no mesmo período, refletindo menor capacidade de regulação térmica.
Em 2024, ano registado como particularmente quente, mais de 43% dos jovens adultos e quase 80% dos idosos sofreram restrições severas. Na década de 1950, os percentuais eram 27% e 70%.
Regiões com maior aumento de calor limitante incluem o sudoeste e leste da América do Norte, o sul da América do Sul, o Saara, grande parte da Europa, partes da Ásia e o sul da Austrália.
Entre 2010 e 2024, a Europa Central e do Sul registou um aumento de calor extremo cerca de 10 vezes face a 1961/1990, conforme estudo liderado por Gottfried Kirchengast da Universidade de Graz.
Em algumas regiões tropicais, o calor restringe atividades ao ar livre de parte da população idosa entre um quarto e um terço do ano, segundo os pesquisadores.
Os autores destacam que o crescimento populacional e o envelhecimento elevam o risco de períodos mais longos de atividades inseguras por calor extremo.
Medidas como refrigeração, infraestruturas adaptadas e arborização urbana ajudam, mas o acesso continua desigual mesmo em países ricos, sublinham os investigadores.
O estudo também alerta para impactos de mortalidade próximos de meio milhão por ano atribuíveis ao calor acima de 30 °C, combinado com humidade elevada.
Os autores defendem reduzir o aquecimento global dando prioridade à diminuição de emissões de combustíveis fósseis para evitar um agravamento das limitações de vida diária.
Luke Parsons, primeiro autor, afirma que deixar de queimar petróleo, carvão e gás é essencial para impedir que o calor limite as atividades quotidianas no futuro.
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