- Um estudo (Coreia do Sul e Austrália) afirma que ondas de calor que causam secas rápidas estão a aumentar à velocidade de milhões de hectares, com impactos maiores quando o calor chega primeiro.
- A área global afetada por este tipo extremo “calor primeiro → seca” passou de cerca de 2,5% da superfície terrestre por ano na década de oitenta para 16,7% em 2023, com média de 7,9% nos últimos dez anos.
- Os autores indicam que a tendência deverá ter subido ainda mais com o calor recorde de 2024 e com 2025 muito quente.
- O ritmo de agravamento é particularmente preocupante: nos últimos 22 anos, a progressão é oito vezes superior à inicial, e os episódios em que a seca surge após o calor também aumentam.
- Regiões mais expostas incluem a América do Sul, o oeste do Canadá, o Alasca, o oeste dos Estados Unidos e partes de África; o estudo identifica um ponto de viragem por volta de 2000, depois do qual tudo acelerou.
O calor extremo está a desencadear secas súbitas que se espalham pelo globo, num ritmo cada vez mais rápido, segundo um estudo recente. Investigadores da Coreia do Sul e da Austrália analisaram fenómenos extremos compostos e concluíram que o calor antecede a seca com maior intensidade à medida que o planeta aquece.
O trabalho, publicado na Science Advances, aponta que, entre 1980 e 2023, a área afetada por estes extremos aumentou de 2,5% para 16,7% da superfície terrestre. A média de dez anos situa-se em 7,9%, com expectativas de subida adicional.
Aquecimento contínuo e eventos recentes de calor contribuem para acelerar o fenómeno. Os investigadores destacam que, quando o calor chega primeiro, as secas são mais severas, gerando impactos nos ecossistemas e na comunicação com agricultores.
A equipa também descreve secas-relâmpago, que surgem de forma súbita e são mais destrutivas, dificultando a preparação de comunidades. O estudo sublinha que estes extremos compostos aumentam com o aquecimento global.
Áreas mais expostas e ponto de viragem
As regiões mais vulneráveis incluem partes da América do Sul, oeste do Canadá, Alasca e o oeste dos EUA, bem como áreas de África central e oriental. Os autores identificam um ponto de viragem por volta de 2000, quando a progressão se acelerou.
Specialistas externos, sem participação direta no estudo, consideram que o aumento está ligado ao aquecimento do Ártico e à perda de gelo marinho. Observam ainda que o calor que passa da superfície para o ar antes de chegar à seca pode intensificar os impactos.
Algumas projeções indicam que o El Niño poderá regressar ainda este ano, o que tende a alterar padrões climáticos globais. O estudo alerta para a possibilidade de novos extremos compostos à medida que o aquecimento persiste.
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