- Um estudo do Centre for Climate Change and Social Transformation (CAST) da University of Bath, com colaboração de outras universidades britânicas, aponta que cabeleireiros são «pontos de confiança» para falar de alterações climáticas.
- Foram entrevistados 30 proprietários e diretores de salões no Reino Unido; posteriormente, 25 salões sustentáveis receberam a ação nacional com os Mirror Talkers, mensagens nos espelhos para estimular conversas sobre cuidados de cabelo mais sustentáveis.
- O estudo, publicado na Humanities & Social Sciences Communications, revelou que quase 73% dos clientes se mostrou predisposto a alterar a sua rotina de cuidados com o cabelo após as conversas desencadeadas pelos Mirror Talkers.
- Alguns clientes passaram a usar produtos mais ecológicos, a baixar a temperatura da água e a mudar hábitos em casa; os investigadores defendem reconhecer os salões como espaços úteis para mobilizar o público.
- Pedem aos responsáveis políticos que generalizem ferramentas como os Mirror Talkers e veem os salões como plataformas para envolver o público na ação climática, destacando que a mudança pode começar nas conversas diárias.
A investigação publicada examina o papel dos salões de cabeleireiro como espaços de engajamento público em questões climáticas. O estudo parte de uma iniciativa do Centre for Climate Change and Social Transformation (CAST) da Universidade de Bath, em colaboração com três instituições britânicas. O objetivo é avaliar se estes ambientes podem estimular mudanças de comportamento relacionadas com o clima.
Foram realizadas entrevistas com 30 proprietários e diretores de salões no Reino Unido para perceber como lidam com a sustentabilidade. A equipa também implementou, a nível nacional, uma ação em 25 salões sustentáveis com o recurso Mirror Talkers, mensagens afixadas nos espelhos para promover práticas mais ecológicas.
Espelhos que movem conversas
Os investigadores revelam que muitos clientes aceitam alterar rotinas de cuidado capilar após as conversas desencadeadas pelas mensagens. Entre os comportamentos observados estão a preferência por produtos menos agressivos, a redução da temperatura da água e mudanças em casa para economizar energia.
O estudo, publicado na Humanities & Social Sciences Communications, indica que quase 73% dos clientes ficaram predispostos a mudar hábitos após as conversas. Os autores defendem que os salões representam um potencial ainda pouco explorado para levar o tema climático aos hábitos diários.
Responsáveis políticos e exemplos práticos
Os autores destacam a necessidade de reconhecer os salões como espaços relevantes para a educação climática do público. A sugestão é expandir ferramentas semelhantes aos Mirror Talkers e apoiar políticas que integrem este tipo de intervenção comunitária.
De acordo com Sam Hampton, do CAST, a chave para um movimento público eficaz está na comunicação cotidiana. O diretor sénior Matilda Collins comenta que há maior interesse dos clientes sobre ingredientes dos cosméticos e que o setor já investiga reduzir a pegada ambiental com medidas de eficiência energética.
Reflexos práticos nos salões
Collins acrescenta que a relação de confiança entre cabeleireiro e cliente pode facilitar mudanças positivas de comportamento. O salão Paul Edmonds London já aplica estratégias de poupança de energia, incluindo sistemas de gestão do calor para reduzir o aquecimento de água.
A iniciativa Mirror Talkers é vista como promissora, desde que a abordagem seja natural e não pareça excessivamente virtuosa. A equipa sublinha que o impacto depende da qualidade da relação com o cliente e da forma como as mensagens são apresentadas.
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