- O estuário do Sado abriga três hotspots de cavalos-marinhos: Soltróia, Marina de Tróia e Marina Marbella, identificados pelos projetos Cavalos de Tróia e CavalSado.
- Pela primeira vez, foi detectado na zona estuarina um “jardim de gorgónias” — corais de água fria em baixa profundidade.
- Foram avaliados dezenove locais ao longo do estuário, com cavalos-marinhos observados em quinze deles e 56 indivíduos de cinco espécies identificados.
- As espécies registadas incluem o cavalo-marinho-de-focinho-comprido, o cavalo-marinho-comum, a marinha-comum, a marinha-de-focinho-grosso e a agulhinha, todas relevantes para a conservação.
- O ICNF indica que os dados servem de base para monitorização futura, gestão e proteção do estuário do Sado, enquanto os projetos também destacam ameaças como degradação de habitat, lixo marinho e ruído subaquático.
O estuário do Sado, junto a Setúbal, recebeu recentemente os resultados de dois projectos que identificaram três hotspots de cavalos-marinhos e, pela primeira vez, um jardim de gorgónias na água fria de baixa profundidade. A investigação abrangeu mergulho científico e ações de proximidade com comunidades locais para mapear a distribuição de Singnatídeos em pradarias de ervas‑marinhas, campos de ostras e estruturas portuárias.
Foram avaliados 19 locais ao longo da foz do Sado, com observações de cavalos‑marinhos em 15 deles. No total, registaram‑se 56 indivíduos de cinco espécies: Hippocampus guttulatus, Hippocampus hippocampus, Syngnathus acus, Syngnathus typhle e Nerophis sp. Os investigadores sublinham que estas espécies são indicadores da qualidade ambiental costeira.
Áreas prioritárias e jardim de gorgónias
Identificaram‑se três zonas prioritárias para conservação: Soltróia, Marina de Tróia e Marina Marbella, classificadas como hotspots pela elevada abundância e diversidade. O jardim de gorgónias foi detetado na área estuarina, constituindo um conjunto de corais de água fria ainda sem precedentes na região.
O estudo, coordenado pelo ICNF em colaboração com entidades como a Mardive e Mare, afirma que a informação recolhida serve de base para monitorização futura e para orientar decisões de gestão e proteção do estuário. O objetivo é salvaguardar tanto as espécies‑bandeira como os habitats que sustentam a biodiversidade marinha.
Parcerias e desafios ambientais
As equipas identificaram ameaças significativas, entre as quais a degradação de habitat, o lixo marinho e o ruído subaquático. Os resíduos marinhos, em grande parte plástico, chegam a partir de redes abandonadas a garrafas, impactando os ecossistemas costeiros. O programa Mares Circulares coordena ações de literacia marinha, com financiamento da Coca‑Cola.
Apesar de 99% das embalagens primárias da Coca‑Cola terem sido recicláveis em 2024, o consumo de plástico virgem aumentou para 2,94 milhões de toneladas, segundo a Packing Dive, refletindo desafios contínuos na gestão de resíduos. As iniciativas no Sado pretendem servir de referência para políticas de conservação e uso sustentável do litoral.
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