- A Quercus afirma que mais de dois terços do eucaliptal ardido no continente não aparece nas estatísticas por classificações inadequadas, citando Arouca (2024) e Pedrógão.
- Propõe licenciamento obrigatório e georreferenciação de plantações de rápido crescimento, bem como atualização quase em tempo real dos dados oficiais.
- A classificação atual da ocupação do solo, baseada na Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS) e na Carta de Ocupação do Solo Conjuntural (COSc), está desfasada face à realidade, já que a COS é atualizada de cinco em cinco anos e a COSc classifica eucaliptos jovens como mato.
- Em Arouca, 6.500 hectares arderam este ano, 80% do território eram eucaliptal; em Pedrógão, há divergências entre as áreas queimadas e o que indica o sistema EFFIS (80% de mato vs 90% de eucaliptos jovens).
- Este ano é o quarto maior registo de área ardida desde 1996, com 254.296 hectares, segundo o ICNF; as deficiências nos dados distorcem a leitura da realidade florestal.
A associação ambientalista Quercus revelou que mais de dois terços do eucaliptal ardido no continente não fica refletido nas estatísticas oficiais. A denúncia aponta falhas de classificação que distorcem a dimensão do problema e o risco de incêndio no território.
Segundo a Quercus, a defasagem entre as cartas COS/COSc e a realidade territorial compromete a leitura dos riscos, a prevenção e as políticas públicas. A organização propõe licenciamento obrigatório e georreferenciação de plantações de rápido crescimento, com dados quase em tempo real.
Contexto e fundamentos técnicos
A Quercus sustenta que as cartas usadas pela DGT, com base no Copernicus Sentinel-2, apresentam atraso significativo. A COS é atualizada de cinco em cinco anos; as ortofotomapas de 2018 não refletem o território atual. A COSc classifica eucaliptais jovens como mato.
Exemplos de divergências
A entidade cita o incêndio de Arouca (2024), com 6.500 hectares ardidos, dos quais 80% eram eucaliptal; porém 62% da área foi classificada como fogo de mato pela informação oficial. No Pedrógão, o EFFIS aponta 80% de mato, apesar de 90% do terreno ser eucaliptal jovem.
Consequências políticas e mediáticas
A Quercus afirma que estas classificações mascaram a verdadeira extensão da plantações de rápido crescimento e a ocupação do solo. Sem correção, o país pode manter uma narrativa que não reflete o risco real e compromete a segurança de pessoas e bens.
Proposta da Quercus
A associação defende licenciamento obrigatório para plantações de rápido crescimento e georreferenciação em plataforma estatal. A atualização quase em tempo real permitiria monitorizar a ocupação do solo e a evolução do risco de incêndio.
Dados oficiais de 2024
A Quercus recorda que o ICNF indica que este é o 4.º maior ano de área ardida desde 1996, com 254.296 hectares. A organização sustenta a necessidade de rever a leitura da COS e COSc para corrigir déficits estruturais.
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