- O Vaticano afirma que católicos podem receber transplantes de tecidos ou órgãos de animais, desde que se sigam as melhores práticas médicas e não haja crueldade para com os animais.
- No seu documento de 88 páginas, a Igreja reforça que a teologia não impede, por razões religiosas, a utilização de animais como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplantação em humanos.
- O texto trata da xenotransplantação — transplante de órgãos de uma espécie para outra — que já começou a avançar desde 2001.
- Exemplos recentes citados incluem o uso de rim de porco em paciente humano em 2021 e o primeiro transplante de coração de porco para humano em 2022, com um transplante de rim de porco em 2024 nos Estados Unidos.
- O Vaticano pede que estes transplantes sejam realizados de forma intencional, proporcionada e sustentável, e o Parlamento Europeu também solicitou que médicos divulguem os riscos, incluindo rejeição imunitária e possível transmissão de microrganismos.
O Vaticano afirmou que os católicos podem receber transplantes de tecidos ou órgãos de origem animal, desde que os procedimentos sigam as melhores práticas médicas e não haja crueldade contra os animais. A declaração foi publicada nesta terça-feira, 23 de março de 2026, e aborda a xenotransplantação com porcos e vacas geneticamente modificados.
O documento de 88 páginas, elaborado com a colaboração de médicos italianos, norte-americanos e holandeses, reafirma um ensinamento anterior da Igreja. Enfatiza que não existe objeção religiosa à utilização de tecidos animais para transplantação, quando não permite sofrimento animal e cumpre normas éticas e técnicas rigorosas.
Contexto da xenotransplantação
A xenotransplantação envolve órgãos ou tecidos de outra espécie para uso humano. A Igreja lembra que a prática foi autorizada pela primeira vez em 2001, ainda em fases precursoras de desenvolvimento. Os textos ressaltam a importância de seguir critérios éticos, científicos e responsáveis.
Os transplantes entre animais e humanos continuam incomuns, mas já houve avanços. Em 2021, nos EUA, uma paciente com morte cerebral recebeu um rim de porco sem rejeição imediata. Em 2022, ocorreu o primeiro transplante de coração de porco a um humano vivo, nos EUA, seguido pela morte do paciente pouco depois. Em 2024, registou-se o primeiro transplante de rim de porco em pessoa, também nos EUA.
Orientações e apelos aos médicos
O Vaticano orienta que os transplantes de origem animal devem ser realizados de forma intencional, proporcionada e sustentável. O documento sublinha que a prática não deve dispensar a avaliação de riscos, nem a proteção de pacientes e comunidades.
A avaliação de riscos é reforçada por instâncias externas, como o Parlamento Europeu, que também pediu aos médicos que divulguem riscos associados aos transplantes de origem animal, incluindo rejeição imunitária e possível transmissão de microrganismos.
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