- O vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, Jorge Sobrado, defende a criação de um museu da resistência na antiga delegação da PIDE, na Rua do Heroísmo, hoje ocupada pelo Museu Militar.
- A ideia surge num contexto de décadas de propostas e de uma marcha do núcleo do Porto da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) que pediu ao município para se associar ao projeto.
- Sobrado considera o edifício um emblema histórico da resistência ao regime e aponta duas razões para o Porto: melhores condições para o Museu Militar e descentralização, visto que a maioria dos museus do Estado fica em Lisboa.
- O presidente eleito pela coligação de direita, Pedro Duarte, disse que acompanhou a posição de forma informal junto do Governo e pretende avançar para um contacto mais formal para avaliar a proposta.
- Além de Duarte, apoiam a iniciativa Francisca Carneiro Fernandes (PS); a única discordância veio de Miguel Corte-Real (Chega), que pediu prioridades em policiamento e transportes.
Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, defendeu a criação de um museu da resistência na cidade, numa altura em que já se discute há anos o tema. A proposta envolve a antiga delegação da PIDE na Rua do Heroísmo, hoje ocupada pelo Museu Militar.
Sobrado afirmou, em reunião de executivo, que há razões históricas, culturais e sociológicas para escolher o Porto como destino do museu. O projeto é visto como complemento ao actual Centro Interpretativo 25 de Abril em Lisboa, que enfrenta entraves.
O edil recordou que a antiga sede da PIDE é um emblema vivo da resistência à ditadura e citou Maria José Ribeiro, ex-presa política e dirigente da URAP, como exemplo vivo da memória que ali persiste.
Além disso, o vereador apontou que o Museu Militar não oferece condições adequadas para o desenvolvimento desejado e destacou a concentração de museus do Estado em Lisboa. O Porto seria, segundo ele, uma referência regional de memória.
Pedro Duarte, presidente da CMS/PSD-CDS-IL, acompanhou a posição de Sobrado, dizendo ter sinalizado o assunto ao Governo de forma informal e pretendendo avançar com um contacto mais formal para avaliar a viabilidade.
Pelo PS, a vereadora Francisca Carneiro Fernandes já preparava uma intervenção no mesmo sentido, reforçando o apoio à ideia. Miguel Corte-Real, do Chega, foi a exceção com um apelo por prioridade a policiamento e transportes em vez do museu.
No mês passado, a cidade recebeu uma exposição temporária sobre a resistência, organizada por Luís Monteiro, que sublinhou não haver, ainda, espaço público suficiente para contar a história de quem lutou contra o regime.
A iniciativa surge num contexto de impasse relativo ao Centro Interpretativo 25 de Abril, em Lisboa, com o Governo a enfrentar dificuldades na viabilização do projeto e o Porto a ser visto como possível espaço descentralizado de memória.
A marcha do núcleo do Porto da URAP, realizada no último sábado, pediu à autarquia que se junte ao esforço de criação do museu no local histórico, reforçando o clamor pela descentralização cultural.
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