- O mercado municipal de Viana do Castelo será construído no local do antigo Prédio Coutinho, após registos arqueológicos de vestígios com cinco séculos de idade.
- Persistem vestígios do convento de São Bento e do primeiro mercado, que vão ficar afetados pela construção.
- Ao fim dos trabalhos de escavação, cerca de dois meses, será realizada uma preservação por registo cartográfico, fotográfico, digital e publicação.
- Os achados serão destruídos para a construção do piso-1 do parque de estacionamento do mercado, com a memória do espaço a ser preservada de forma exaustiva.
- As escavações, que já atingiram cerca de mil metros, vão prosseguir numa área de setecentos e cinquenta metros, com vários utensílios de cerâmica encontrados e conhecimento de várias fases de ocupação do convento.
O mercado municipal de Viana do Castelo será construído no local do antigo Prédio Coutinho, após a localização de vestígios arqueológicos com cinco séculos de História. A solução foi anunciada pelo presidente da Câmara, Luís Nobre, após visita aos vestígios do antigo convento de São Bento e do primeiro mercado da cidade.
Os achados foram registados de várias formas para preservar memória e informação. Em cerca de dois meses deverá ocorrer uma preservação por registo cartográfico, fotográfico, digital e de publicação, antes da continuação das obras. Os trabalhos de escavação prosseguem com o objetivo de completar a intervenção.
Apesar de os achados serem destruídos para o piso-1 do parque de estacionamento que servirá o mercado, a memória do espaço será preservada de forma exaustiva. Ainda nesta semana deverá ocorrer nova reunião para definir técnicas e soluções de preservação.
Progresso das escavações
O atual autarca destacou que a memória do espaço é um ativo que merece visibilidade. As funções nobres do Convento de São Bento mantêm-se, com a igreja e os claustros ainda ocultos, e a prioridade é torná-los acessíveis à visitação, em parceria com a paróquia e a Direção-Geral do Património.
O chefe de Unidade de Arqueologia referiu que as estruturas encontradas não eram parte religiosa do convento. As escavações revelaram várias fases de ocupação, especialmente dormitórios, enfermaria e áreas funcionais, correspondentes a cerca de cinco séculos de uso.
Segundo Miguel Costa, já foram identificados utensílios em cerâmica, desde pratos a panelas, entre outros vestígios. O responsável explicou que o convento começou a ser utilizado no final do século XVI e sofreu alterações que se evidenciam na qualidade das argamassas.
Impacto no projeto do mercado
O convento entrou em ruína no século XVIII devido às cheias do Lima e foi reedificado pelo engenheiro Manuel Vilas-Lobos. No final do século XIX, com a extinção das ordens, o engenho da Câmara decidiu demolir a estrutura não religiosa para edificar o mercado atual.
Costa afirmou que as cidades são organismos vivos e que a evolução levou à demolição do convento para dar lugar ao mercado das torres. O projeto retorna assim ao espaço histórico, numa operação que encerra um ciclo iniciado com a demolição do prédio Coutinho para construção do Jardim.
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