- A diretora do Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Rita Rato, informou à Lusa que não foi reconduzida no cargo, com efeitos a partir de 1 de abril.
- A gestão do museu é tutelada pela empresa municipal EGEAC – Lisboa Cultura, que confirmou estar a desenvolver um processo de avaliação conjunta para reconduções nos seus 25 espaços culturais.
- Rato destacou que, nos últimos cinco anos, o museu teve uma média de 45 mil visitantes por ano, totalizando mais de 270 mil.
- Também em declarações à Lusa, o diretor artístico do Teatro do Bairro Alto, Francisco Frazão, confirmou a não recondução, numa altura em que a EGEAC avalia os seus equipamentos culturais.
- O Museu do Aljube, instalado em 2015 numa antiga prisão, trabalha a memória da ditadura, da resistência e da democracia, através de exposições, atividades educativas e projetos de arquivo digital.
Rita Rato foi afastada da direção do Museu do Aljube Resistência e Liberdade. A informação foi confirmada pela diretora à agência Lusa: a comissão de serviço não seria renovada, com efeitos a partir de 1 de abril. O museu funciona sob a tutela da empresa municipal EGEAC – Lisboa Cultura.
Rita Rato liderava o museu desde 2020, após ter sido selecionada para o cargo em agosto de 2020. Em 2024, a ex-deputada da PCP descreveu, por correio eletrónico, que os últimos cinco anos envolveram uma média de 45 mil visitantes anuais, totalizando mais de 270 mil.
A direção do Teatro do Bairro Alto também já anunciou não ter a recondução em vigor, num contexto de avaliação conjunta da EGEAC sobre os seus espaços culturais em Lisboa. A EGEAC confirma o processo de avaliação.
A EGEAC explicou, por meio de comunicado, que o Conselho de Administração está a conduzir a avaliação para decidir sobre reconduções. Em breve serão comunicadas as alterações decorrentes deste processo que abrange 25 espaços culturais sob tutela pública.
Rita Rato avaliou o trabalho no museu como positivo ao longo de quase seis anos. O espaço, instalado em 2015, ocupa uma antiga prisão política e visa promover a memória da ditadura, da resistência e da democracia.
No balanço, a diretora destacou 21 exposições temporárias e a participação de mais de 45 mil estudantes de 940 escolas. Também mencionou a formação de docentes, presencial e online, envolvendo cerca de 2.534 educadores.
Ainda segundo a nota de Rita Rato, o museu lançou exposições itinerantes que chegaram a mais de 170 espaços culturais, nacionais e estrangeiros. O projeto includiu oito livros editados e acolhimento de 153 iniciativas de outras entidades.
A diretora recordou a criação do Arquivo Digital, com mais de 14 mil documentos disponíveis online e 45 testemunhos recolhidos. Foi também lançado o projeto Museu Acessível, que inclui visitas com intérprete de língua gestual e audiodescrição.
Rita Rato ressaltou a importância educativa do espaço, afirmando que o museu estabeleceu-se como referência em educação para os direitos humanos, democracia e liberdade. A equipa do museu conta com 13 pessoas.
Na história do Aljube estiveram figuras e resistentes relevantes da ditadura, incluindo escritores, políticos e artistas que marcaram a memória pública de Portugal. O museu mantém um centro de documentação com literatura especializada.
O Aljube funciona como memória de repressão, com três pisos que exibem a história da prisão, da resistência antifascista e da luta pela independência. O museu mantém atividades de investigação, arquivo documental e recolha de testemunhos.
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