- Centenas de pessoas manifestaram-se na Baixa de Lisboa contra a sentença que suspende a pena do polícia que matou Odair Moniz, numa iniciativa do movimento Vida Justa.
- A ação, sob o lema “Sem justiça não há paz”, contou com o apoio de Frente Anti-Racista e SOS Racismo e começou às 18:00 no Largo de São Domingos.
- Nos cartazes e faixas estavam mensagens como “Justiça para Odair Moniz” e “Vidas negras importam”, com palavras de ordem sobre violência policial e racismo estrutural.
- Os organizadores afirmaram que a manifestação também serve para exigir justiça para outras pessoas mortas pela polícia nas mesmas circunstâncias, recordando casos anteriores, incluindo a morte de um jovem de 14 anos.
- No dia 15 de junho, o Tribunal de Sintra condenou o agente da PSP Bruno Pinto pelo homicídio de Odair Moniz, de 43 anos, mas aplicou uma pena suspensa de três anos e seis meses, mantendo o agente na polícia.
Centenas de pessoas manifestaram-se este sábado na Baixa de Lisboa para contestar a sentença que suspendeu a pena do polícia que matou Odair Moniz. A ação, organizada pelo movimento Vida Justa, contou com o apoio de outras coletivos.
A manifestação começou às 18h no Largo de São Domingos e percorreu as ruas da Baixa. Os participantes exibiam faixas com mensagens como Justiça para Odair Moniz e Vidas negras importam, enquanto entoavam palavras de ordem contra a violência policial e o racismo estrutural.
Apoios conhecidos e relatos de participantes marcaram a tarde. Um ativista do Vida Justa afirmou que a sentença envolve uma double standard, defendendo que a memória de Moniz foi traída pela justiça. Outros citam situações passadas envolvendo a polícia e pedem mudanças no sistema.
Situação do julgamento e contexto
No dia 15 de junho, o Tribunal de Sintra condenou o agente Bruno Pinto pelo homicídio de Odair Moniz, cabo-verdiano de 43 anos, baleado na Cova da Moura, Amadora, em outubro de 2024. A pena aplicada foi de três anos e seis meses, suspensa, mantendo o policial em funções.
A decisão gerou críticas entre ativistas que consideram a sentença insuficiente diante da gravidade do ato e da percepção de discriminação institucional. Durante o protesto, foram lembradas outras mortes associadas a abordagens policiais.
Repercussos e motivações
Além de mensagens de justiça para Moniz, os manifestantes apontaram para o impacto de políticas de segurança e de legislação recente que criam zonas de impacto social. A mobilização também serviu para chamar a atenção para casos de violência policial envolvendo jovens pretos e imigrantes.
Entre os presentes estiveram pessoas como Berenice, cabo-verdiana de 23 anos, que descreveu sentimentos de injustiça ligadas à sentença. Francisco, de 40 anos, afirmou que a decisão representa uma injustiça e que é necessário que as autoridades deem o exemplo.
A organização do protesto reforçou a necessidade de refletir sobre desigualdades sistémicas na justiça e na atuação policial, bem como a proteção de direitos de comunidades marginalizadas. A manifestação não prevê continuidade de ações, mas mantém o foco no tema até ser alcançada maior abertura para o debate público.
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