- Quatro mulheres que testemunharam perante a polícia francesa no caso Epstein afirmam ter sofrido violação de privacidade e acusam o jornalista Frédéric Ploquin de publicar trechos dos depoimentos sem consentimento.
- O livro Epstein, os segredos da rede francesa, publicado em meados de maio, aborda atividades de Jeffrey Epstein e de Jean-Luc Brunel, com Brunel suicidado em 2022; a investigação continua em França.
- A advogada Anne-Claire Lejeune, que representa as quatro vítimas, diz que nada justifica reviver publicamente o que foi confidencial, e que poderá apresentar queixa.
- Ploquin afirmou ter publicado os testemunhos para romper o silêncio das vítimas, disse ter tentado contactar advogados durante a redação e reconhece possível erro na omissão de nomes de algumas pessoas.
- O editor Yannick Dehée pediu desculpas caso haja vítimas ofendidas, assegurando que nunca houve voyeurismo.
Quatro mulheres que testemunharam perante a polícia francesa no caso Epstein afirmaram, nesta quarta-feira, que sofreram uma violação de privacidade e acusaram o jornalista Frédéric Ploquin de publicar trechos dos depoimentos sem consentimento. O caso envolve Jeffrey Epstein e Jean-Luc Brunel, ligado a denúncias de violação de menores, e ocorre numa investigação francesa ainda aberta.
O livro Epstein, les secrets de la filière française foi publicado em meados de maio. A obra aborda as atividades de Epstein e Brunel, com descrições de depoimentos, nomes e detalhes de violência sexual, segundo a advogada Anne-Claire Lejeune, que representa as quatro vítimas.
Lejeune denunciou que nada pode justificar que uma vítima reviva o que confidenciou ao Justiça no sigilo de um processo penal. A advogada afirmou que não houve consentimento nem informação prévia às mulheres sobre a publicação, e que poderá apresentar queixa, descrevendo o episódio como novo trauma.
O livro e a investigação
Ploquin disse à AFP que decidiu publicar os testemunhos para romper o silêncio que durante muito tempo isolou as vítimas. O jornalista afirmou ter tentado contactar advogados durante a redação do livro, sem sucesso, e indicou que tentou alterar nomes, exceto de duas testemunhas já publicamente mencionadas.
O editor Yannick Dehée pediu desculpas caso alguma vítima tenha ficado ofendida, assegurando que não houve voyeurismo na iniciativa. A investigação judicial em França continua aberta para apurar quem poderá ter facilitado os crimes.
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