- O Tribunal de Coimbra vai julgar um homem de 31 anos por 49 crimes de burla qualificada em vendas no Facebook, principalmente de automóveis, com lucros superiores a 232 mil euros.
- Os factos alegados ocorreram entre início de 2021 e julho de 2023; o arguido criava anúncios com perfis falsos, alegando ser proprietário ou revendedor de empresas, para obter dinheiro de compradores em várias regiões do país.
- Além da burla, são-lhe atribuídos quatro crimes de uso de documento de identificação alheio, três de falsificação de documentos e um de branqueamento; no processo aparecem três cúmplices que forneciam contas mediante pagamento.
- A maior parte do dinheiro terá sido gasta em jogos de casino online, em casinos da Figueira da Foz, da Póvoa de Varzim e de Espinho, com referência a casinos online ilegais.
- O arguido é reincidente, já tendo sido condenado por burlas na venda de telemóveis; encontra-se insolvência declarada desde outubro de 2022 e existem outros inquéritos em curso.
O Tribunal de Coimbra vai julgar um homem de 31 anos por suspeita de 49 crimes de burla qualificada relacionados com vendas anunciadas no Facebook, sobretudo de automóveis. O arguido, que reside em Tábua, é acusado de ter obtido mais de 230 mil euros entre 2021 e julho de 2023. O julgamento começa em 3 de junho.
Segundo a acusação, o crime decorreu através de anúncios na rede social em que o homem dizia vender bens de que não era proprietário. A maior parte do dinheiro terá sido obtida com automóveis, envolvendo clientes de várias regiões do país. O valor alegadamente arrecadado ronda os 232 mil euros.
O MP aponta que o arguido utilizava contas próprias e de terceiros para receber os pagamentos e chegou a criar perfis falsos, recorrendo a imagens de anúncios de outros vendedores. Em alguns casos, alegava ser proprietário ou revendedor de empresas reais para ganhar credibilidade.
Para obter dados de potenciais interessados, o arguido telefonava a stands da zona, dando informações que depois serviam para os seus anúncios. Em alguns momentos, utilizou documentos forjados para simular declarações de compra e venda.
Inicialmente concentrou-se em bens de menor valor, como telemóveis e bicicletas, mas o foco migrou para automóveis, com negócios de várias centenas a milhares de euros. O dinheiro obtido era, segundo o MP, gasto em jogos de casino online.
O arguido estava detido preventivamente aquando da acusação e é reincidente, com antecedentes em processos de burla na venda de telemóveis. Existem ainda três coarguidos no caso, acusados de disponibilizarem as suas contas mediante pagamento.
Além de 49 crimes de burla, são-lhe atribuídos quatro crimes de uso de documento de identificação alheio, três de falsificação de documentos e um crime de branqueamento. O MP relaciona ainda outros inquéritos e processos relacionados com o mesmo tipo de crime.
A acusação descreve que o arguido foi declarado insolvente em outubro de 2022 e que, no interrogatório judicial, terá reconhecido a prática dos factos. O processo soma mais de 100 páginas e envolve várias vítimas em diferentes partes do país.
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