O empresário italiano Humberto Sartone, detido em Maputo por suspeitas de tráfico e branqueamento de capitais, foi encontrado morto na prisão de máxima segurança da Machava. O episódio ocorreu numa cela, pelas 08h30 locais (07h30 em Lisboa), ainda durante o registo de entrada de guardas.
Sartone estava detido desde 21 de abril, no âmbito de uma operação ligada a imóveis supostamente associados a redes de crime organizado. Além dele, outros suspeitos, incluindo Saleem Karim e Tarmomed Valai Mahomed, eram objeto de investigação por alegada participação em branqueamento de capitais e falsificação de documentos, segundo o Sernic.
Após a detenção, o empresário iniciou uma greve de fome, o que motivou o Sernap a acompanhar de perto a situação devido a preocupações com a saúde. O Serviço Nacional Penitenciário anunciou a abertura de diligências para apurar as circunstâncias do óbito, que já foi comunicadas às autoridades competentes.
Entre as informações divulgadas, a direção do Sernap confirmou que o caso foi encaminhado ao Sernic, que procede com inspeções no local. O desfecho ocorre num contexto moçambicano marcado pela preocupação com o crime organizado, refletida também no relatório Africa Organized Crime Index 2025, em que Moçambique aparece entre os países com maior índice de criminalidade.
De acordo com o relatório, Moçambique ocupa a oitava posição na África em termos de criminalidade organizada, com uma pontuação de 6,63 em uma escala de 1 a 10. O estudo aponta uma evolução positiva de 0,43 desde 2023, ano do último levantamento.
Investigação e desdobramentos
O Sernap informou que vai assegurar o respeito pelos direitos fundamentais do recluso e cumprir as normas legais vigentes, enquanto as autoridades competentes investigam a ocorrência. A polícia moçambicana continua a apurar ligações entre os detidos e redes de crime organizado, sem antecipar conclusões.
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