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Advogado nega evasão fiscal na venda do navio Atlântida

Advogado de Mário Ferreira sustenta que empresa em Malta foi exigência de comprador e não fuga aos impostos no negócio do navio Atlântida

Mário Ferreira, dono da TVI, acusado de fraude fiscal
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  • Um advogado ouviu-se no julgamento em que Mário Ferreira é arguido, defendendo que a constituição de uma empresa em Malta para a venda do navio Atlântida não visou fugir a impostos.
  • A testemunha afirmou que a operação surgiu a pedido de um potencial comprador francês, que representava uma sociedade maltesa, em 2015.
  • O objetivo era que o navio fosse propriedade de uma empresa de Malta; o negócio não avançou por falta de garantias bancárias.
  • Mesmo assim, Ferreira prosseguiu com a criação da ITW em Malta e realizou a venda entre empresas suas: Mystic Cruises comprou o navio por 8,5 milhões e vendeu-o à ITW por 11 milhões.
  • O Atlântida acabou por ser vendido a uma empresa na Noruega por 17 milhões de euros; o Ministério Público mantém a acusação de fuga ao IRS de um milhão de euros, e o julgamento continua a 28 de maio com testemunhas de defesa.

Um advogado ouvido nesta quinta-feira no julgamento de Mário Ferreira explicou que a criação de uma empresa em Malta para a venda do navio Atlântida não visou a fuga aos impostos. Miguel Reis afirmou que foi uma exigência de um potencial comprador, em 2015, que queria avançar com o negócio.

O dono da TVI e do grupo Douro Azul é acusado de fraude fiscal qualificada, em causa está uma alegada fuga de um milhão de euros em IRS. A testemunha foi arrolada pelo Ministério Público para esclarecer o negócio.

Surgiu um comprador francês que representava uma sociedade maltesa. Pretendiam comprar o navio para navegação em águas quentes, com a condição de ser propriedade de uma empresa de Malta, explicou o advogado.

Mesmo sem garantias bancárias, Mário Ferreira decidiu avançar com a constituição da ITW, em Malta. O empresário realizou depois uma primeira venda entre duas empresas suas: a Mystic Cruises, que comprou o navio por 8,5 milhões, vendeu-o à ITW por 11 milhões.

Segundo o MP, tudo terá correspondido a um esquema para facilitar a fuga fiscal. O advogado sublinhou que há diferenças entre vender em Portugal ou em Malta, especialmente para o comprador, devido a certificações e regras associadas à bandeira de Malta.

A testemunha acrescentou que contactou Mário Ferreira e outros responsáveis para que o assunto fosse resolvido. O Atlântida acabou por ser vendido a uma empresa na Noruega, por 17 milhões de euros.

Mário Ferreira já afirmou na primeira sessão do julgamento que é inocente. Devolveu o montante em falta, mas o Ministério Público mantém a exigência de devolução de 110 mil euros a título de juros compensatórios. O julgamento continua no dia 28, com a audição de testemunhas de defesa e alegações finais.

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