Oito anos depois de surgir uma rede transnacional de burlas por mensagens, um dos suspeitos do atual processo em Matosinhos garantiu em tribunal ser inocente e não ter vínculo com o esquema. O arguido, de 41 anos, que está em prisão preventiva, afirmou desconhecer a burla de Olá pai, Olá mãe até ser detido pela Polícia Judiciária (PJ).
No decorrer do julgamento, o Ministério Público descreveu o funcionamento do grupo: o suspeito e a mulher, também arguida, compravam cartões SIM e telemóveis, ativando-os e disponibilizando-os em modems GSM para uso por outros membros da organização. Esses, por sua vez, criavam contas no WhatsApp e enviavam mensagens fraudulentas a pedir dinheiro.
Operação e provas apreendidas
A acusação aponta que as ferramentas fornecidas pela rede renderam ganhos de pelo menos 218.000 euros em criptomoeda, convertida por venda e depositada em contas bancárias de terceiros próximos aos suspeitos. Em novembro de 2024, a PJ apreendeu 22 modems GSM, 12.423 cartões SIM e vários computadores.
O arguido explicou que trabalhava para uma empresa que comercializava os cartões SIM a preços entre 1,50 e 3,50 euros cada, acrescentando que não era responsável pelo uso final dos cartões. Em Portugal desde 2015, confessou que, com a atividade, auferia entre 2 mil e 2,5 mil euros mensais, sem declarar.
Novos intervenientes e antecedentes
Além dos dois arguidos, integra o grupo um terceiro, responsável por disponibilizar entidades, referências e contas bancárias para onde as vítimas efetuavam pagamentos. O suspeito também afirmou não conhecer esse terceiro envolvido.
Antes de arrancar o julgamento, o MP pediu a expulsão do país para os três arguidos, todos de nacionalidade brasileira, caso venham a ser condenados, como pena acessória.
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