O crime de violência doméstica voltou a crescer em Portugal no ano de 2025, com aumento nos seus índices. Especialistas destacam a gravidade do fenómeno e apelam a uma reflexão profunda sobre o funcionamento do sistema judicial e de apoio às vítimas.
Os técnicos enfatizam que a suspensão temporária de processos, em troca de medidas aplicadas ao agressor, não resolve a raiz do problema. Defendem medidas estruturais que facilitem a proteção das vítimas e a responsabilização adequada dos agressores.
A explicação não se reduz a uma narrativa romântica: as vítimas podem sentir vergonha, medo de expor os filhos, desconfiança nas instituições e exaustão. Esses fatores, entre outros, influenciam decisões de suspensão de ações judiciais.
Casos e testemunhos
Teresa, de 54 anos, relata que optou por parar o processo para evitar que o filho pequeno assistisse a mais agressões. A mulher afirma que a resposta social que recebe nem sempre compreende a gravidade da situação.
O depoimento ilustra um dilema que persiste entre as vítimas: proteger a família e manter a privacidade, enquanto o agressor recebe medidas que não impedem novos episódios de violência. A percepção de falhas do sistema é comum entre as vítimas.
Especialistas lembram que a decisão de suspender processos não encerra o caso, apenas adia a responsabilização. Defendem políticas públicas que minimizem riscos, aumentem a proteção e melhorem o acesso a apoios psicológicos e jurídicos.
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