Três candidatos latino-americanos ocupam o centro dos holofotes na corrida à liderança da ONU em 2026, numa altura em que aumenta a pressão para que uma mulher ocupe pela primeira vez o cargo. A saída de António Guterres abre espaço para um debate sobre o futuro da organização, o seu funcionamento e legitimidade perante crises globais.
A eleição não é apenas administrativa. É um teste ao papel da ONU em tempos de guerras, tensões geopolíticas e desconfiança crescente nas instituições multilaterais. O histórico de rotação regional aponta para a América Latina, enquanto cresce o clamor pela paridade de género.
Entre os nomes mais comentados estão Michelle Bachelet, Rebeca Grynspan e Rafael Grossi. Três perfis distintos que refletem a diversidade de estratégias para enfrentar o desafio de chefiar a organização durante um ciclo turbulento.
Candidatos latino-americanos
Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e antiga alta comissária dos Direitos Humanos, representa a vertente política com experiência global. A sua liderança é marcada por crises internacionais e uma defesa firme do multilateralismo.
Rebeca Grynspan, economista e líder da CNUCED, privilegia uma reforma gradual do sistema. Aposta na melhoria de mecanismos internos e numa gestão mais ágil, com forte foco no desenvolvimento e na igualdade.
Rafael Grossi, atual diretor da AIEA, traz uma leitura de liderança mais técnica. Valoriza uma ONU mais eficaz na gestão de conflitos e na segurança internacional, com menos ênfase em reformas institucionais.
A perspetiva da liderança feminina
Nunca houve uma mulher no cargo de secretária-geral da ONU em 80 anos de história. O debate em torno de Bachelet e Grynspan sublinha esse marco simbólico e potencial efeito de legitimidade à organização.
Diversos atores defendem que uma liderança feminina poderia renovar a credibilidade da ONU e impulsionar a agenda de igualdade de género, além de responder a críticas sobre representatividade.
Apesar disso, persiste a ideia de que a eleição depende de acordos no Conselho de Segurança, onde os equilíbrios de poder pesam mais que qualquer aspiração de mudança histórica.
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