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Violência sexual é arma de guerra no conflito no Sudão, diz ONU

Violência sexual é arma de guerra no Sudão, atingindo mulheres e raparigas, com deslocações massivas e falta de serviços de saúde

ARQUIVO - Um soldado do exército caminha em frente ao Palácio Republicano em Cartum, Sudão, depois de este ter sido tomado pelo exército sudanês, 21 de março de 2025
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  • A violência sexual está a ser usada como arma de guerra no conflito no Sudão, afetando sobretudo mulheres e raparigas, em meio a deslocações em massa e à escassez de serviços de saúde.
  • As Nações Unidas descrevem a crise humanitária como uma das mais devastadoras do mundo; a representante do UNFPA afirma que a violência sexual ocorre em escala sem precedentes.
  • As sobreviventes enfrentam traumas, lesões, risco de doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas, além de estigma. O UNFPA trabalha com comunidades e oferece apoio psicossocial e espaços seguros para reconstrução de vidas.
  • O país tem mais de 65% da população com menos de 24 anos, o que, segundo a representante, torna os jovens um agente de mudança.
  • Mais de nove milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente, com cerca de três milhões a regressar às suas regiões; em Cartum registou-se o regresso de mais de um milhão de pessoas.

A violência sexual está a ser utilizada como arma de guerra no Sudão, atingindo principalmente mulheres e raparigas num contexto de deslocações em massa e escassez de serviços de saúde. A afirmação é feita pela representante do UNFPA no Sudão à Euronews, destacando uma escalada sem precedentes desde o início do conflito civil em abril de 2023.

Fabrizia Falcione, ligada ao Fundo de População das Nações Unidas, diz ter visto, ao longo de décadas, menos violência sexual em confrontos do que o que observa hoje. O impacto não é apenas físico: o trauma, o risco de doenças e o estigma afetam comunidades inteiras, sobretudo famílias lideradas por mulheres.

Violência como arma de guerra e impacto humano

A representante descreve que várias partes do conflito violam mulheres e raparigas para desintegrar comunidades. As mulheres, mantendo famílias e redes locais, tornam-se alvos primários. Casas e espaços comunitários ficam marcados por abusos, com relatos de violação e violência sexual.

Falcione relata ainda casos de mulheres que chegam com histórias de violências sofridas, incluindo partos na estrada. Não há registos confiáveis sobre o destino de algumas vítimas, o que agrava o medo e a insegurança nas zonas afetadas de Darfur e Kordofan.

Resposta humanitária e necessidades urgentes

As sobreviventes enfrentam traumas, lesões, risco de IST e gravidezes indesejadas, acrescidos do estigma social. O UNFPA trabalha para reduzir esse estigma junto de comunidades, famílias, homens e jovens, que representam uma via de mudança crucial num país com grande população jovem.

A prioridade humanitária é o acesso a serviços básicos de saúde sexual e reprodutiva. Em campos de deslocados, unidades de saúde móveis e espaços seguros oferecem apoio psicossocial e formação para gerar rendimentos, ajudando a reconstruir vidas.

Deslocação contínua e regresso às regiões de origem

Após mais de 1.000 dias de guerra, cerca de 9,3 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente no Sudão, principalmente mulheres e crianças. Aproximadamente 3 milhões já regressaram a regiões de origem, segundo a OIM, com mais de 1 milhão de registos em Cartum.

Falcione sublinha o desejo de retorno das mulheres às suas comunidades, desde que sejam assegurados serviços básicos como saúde e emprego. A representante ressalta que as mulheres funcionam como pacificadoras, e que a guerra não é da responsabilidade delas.

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