- Os Estados Unidos teriam pressionado Maria Corina Machado a não regressar a Caracas após os dois sismos devastadores, para evitar nova crise política, segundo o The Wall Street Journal.
- Um avião privado que a transportava dos Estados Unidos para Curaçau foi obrigado a regressar na semana passada, após autoridades norte-americanas concluírem que pretendia atravessar para território venezuelano pela rota usada quando abandonou o país, em dezembro.
- Machado preparava há meses o regresso à Venezuela para relançar a pressão por novas eleições, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
- A Copa Airlines recusou transportar Machado para a Venezuela, via Panamá, por receios de represálias das autoridades de Caracas.
- Machado afirmou que a sua presença no país contribuiria para a estabilidade política necessária após os sismos, que causaram mais de 2.500 mortos, de acordo com dados oficiais.
Dois sismos atingiram a Venezuela, causando mais de 2500 mortos e graves danos materiais. Em meio ao abalo, Trump terá pressionado a oposição venezuelana a não regressar ao país, de modo a evitar nova crise política, segundo o The Wall Street Journal.
O diário citou fontes ligadas ao processo, afirmando que um avião privado que conduzia Maria Corina Machado dos EUA para Curaçau foi obrigado a regressar na semana passada. A justificativa aponta para a intenção da opositora de atravessar para território venezuelano, repetindo a rota de saída em dezembro.
Machado planeava regressar há meses para relançar a pressão por novas eleições, após a detenção do ex-presidente Nicolás Maduro, segundo o jornal. O presidente norte-americano, Donald Trump, terá dito que relações com a presidente interina Delcy Rodríguez eram excelentes.
O WSJ acrescenta que interlocutores da Casa Branca avisaram Machado de que o regresso poderia comprometer o apoio político de Trump e atrasar a estratégia norte-americana para o país. A opositora tentou depois voltar pelo Panamá, mas a Copa Airlines recusou o transporte para a Venezuela.
Na segunda-feira, a partir da Cidade do Panamá, Machado denunciou o encerramento do espaço aéreo comercial venezuelano para impedir o regresso, defendendo a necessidade de voltar para enfrentar as consequências dos sismos, sem mencionar pressões de Washington.
Nesta sexta-feira, Machado afirmou que o regresso contribuiria para a estabilidade política necessária, destacando que a presença dela pode facilitar o processo de transição no país afetado pelos desastres. A videoconferência com jornalistas ocorreu após a decisão de regressar ser notícia.
O Axios informou que responsáveis da administração norte-americanaconsideraram a tentativa de regresso um ato de oportunismo político, numa altura em que a Venezuela enfrenta as consequências dos sismos. Organizações da oposição nos EUA pediram a Trump para reavaliar a relação com Delcy Rodríguez.
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