- O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que a Europa se está a tornar uma grande ameaça à paz ao apoiar militarmente a Ucrânia.
- Lavrov disse que os Estados Unidos já não parecem procurar ser mediadores objetivos e que, em vez disso, seguem uma linha de sanções mais intensas contra a Rússia.
- O assessor de Vladimir Putin, Yuri Ushakov, declarou que a Rússia está disposta a dialogar com a União Europeia, alegando que é a Europa, não Moscovo, a prolongar a guerra.
- As conversações lideradas pelos Estados Unidos para terminar a invasão russa da Ucrânia permanecem, de facto, congeladas, com a atenção de Donald Trump desviada para o Médio Oriente.
- O Donbás continua sob controlo parcial de Kiev, que não está disposto a retirar as suas forças, condição apontada pela Rússia para negociações de paz; a proposta de um canal diplomático com o Kremlin foi defendida por António Costa, presidente do Conselho Europeu.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia afirmou hoje, em Moscovo, que a Europa está a tornar-se uma ameaça à paz e à segurança internacionais ao apoiar militarmente a Ucrânia. A intervenção ocorre numa altura em que a Rússia diz que os EUA já não atuam como mediadores objetivos.
Serguei Lavrov criticou as políticas europeias e indicou que os Estados Unidos parecem seguir uma linha de intensificação de sanções contra a Rússia, abandonando a ideia de mediação. As declarações foram dirigidas a representantes estrangeiros presentes no encontro.
O assessor do presidente russo, Vladimir Putin, Yuri Ushakov, reforçou que a Rússia está preparada para dialogar com a União Europeia, segundo a narrativa oficial de Moscou. A prática de conversações lideradas pelos EUA continua, na prática, congelada.
Contexto diplomático
Ushakov afirmou ainda que a Rússia não reconhece que Moscovo seja o principal obstáculo à paz, atribuindo a responsabilidade à Europa. Não houve confirmação oficial de contacto com a equipa de Costa nesta terça-feira.
O primeiro-ministro português António Costa defendeu recentemente a abertura de um canal diplomático com o Kremlin para explorar condições de negociação, decisão que a equipa dele considerou ainda impraticável na prática. O gabinete de Costa não confirmou este ponto.
Ponto de discórdia principal
A Rússia mantém como condição essencial para negociações a retirada das forças ucranianas da região oriental de Donbas, área que Moscovo tem procurado controlar desde 2014. Kiev não sinalizou disponibilidade para entregas de território na região.
A análise diplomática persiste em apontar que as negociações de paz continuam estagnadas. Washington continua a negar ter assinado qualquer acordo de cessar-fogo ou fórmula semelhante reconhecida pela administração norte-americana, segundo fontes próximas aos trabalhos.
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