- Em 2025, o défice da UE com a China atingiu o máximo histórico, situando-se em 359,9 mil milhões de euros, com todos os Estados-membros a registarem défice com Pequim.
- Dirigentes da UE apontam a desvalorização do yuan como fator-chave que mantém os produtos chineses mais baratos no mercado da UE.
- Um relatório francês aponta o yuan a estar cerca de 20 a 25 por cento subvalorizado; a evidência sugere que a moeda permanece atrativa para as exportações chinesas.
- A analista Alicia García-Herrero afirma que a China impede uma valorização mais rápida do yuan ao não repatriar todas as receitas de exportação para o continente.
- A UE discute abrir um diálogo cambial com a China, citando precedentes como o Acordo de Plaza (1985) e o Sistema Monetário Europeu para coordenar mecanismos de câmbio.
A União Europeia continua a enfrentar um défice comercial com a China que atingiu novo recorde em 2025, com 359,9 mil milhões de euros. Dirigentes do bloco apontam a moeda chinesa como um fator-chave para explicar a distância entre as exportações e as importações. O discussions ganha força na sequência de sinais vindos do G7.
O tema da desvalorização do yuan ganhou destaque na cimeira do Conselho Europeu e voltou a ser enfatizado na agenda do G7, com a UE a procurar caminhos para corrigir o desequilíbrio. Bruxelas afirma que a valorização dos seus produtos fica comprometida pela competição baseada numa moeda artificialmente baixa.
Segundo um relatório do Haut Commissariat à la Stratégie au Plan, o yuan pode estar subvalorizado entre 20 e 25%. O documento sustenta que o RMB permanece significativamente subvalorizado, o que ajuda a manter o custo dos produtos chineses mais baixo no mercado europeu. A instituição aponta ainda que não existe um consenso universal sobre o método de avaliação.
Alicia Garcia-Herrero, do think tank Bruegel, disse à Euronews que a China impede a apreciação rápida da moeda ao não repatriar todas as receitas de exportação para o continente, mantendo-as em Hong Kong e sem converter para RMB. A explicação reforça a perceção de que a política cambial tem impactos diretos no comércio.
A UE admite que o défice com a China não é sustentável, especialmente porque todos os Estados-membros registaram défice com Pequim em 2025, incluindo a Alemanha, a maior economia do bloco. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinhou a necessidade de responder a este cenário de forma assertiva.
Entre as opções discutidas, o chanceler alemão Friedrich Merz pediu o início de um diálogo com a China sobre a questão cambial, defendendo que o tema deve ser tratado entre ambos os lados. Merz lembrou histórias de acordos cambiais históricos, como o Acordo de Plaza de 1985, e citou também a necessidade de considerar medidas de coordenação cambiária.
Garcia-Herrero sugere que a UE monitore, setor a setor, os exportações da China para detetar desvios que sinalizam excesso de capacidade. A especialista ressalta que a evolução dos preços pode indicar dificuldades de escoamento dos bens, o que impacta a competitividade externa da UE.
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